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FAMÍLIA REAL

Netflix lança série sobre reinado de Elizabeth II

The Crown, a série do criador e roteirista Peter Morgan, retrata a jovem rainha Elizabeth II, que ascende ao trono com apenas 25 anos e se transforma em uma entidade política

Netflix lança série sobre reinado de Elizabeth II
Quando Elizabeth começou a desempenhar seus deveres de rainha, foi difícil reconciliar o conflito entre a vida pública e privada (Foto: Pixabay)

Há uma cena emblemática em The Crown na qual a princesa Elizabeth, ainda uma menina, visita Eton College. A futura rainha tem uma aula particular com o vice-reitor, mas quando entra no pátio da escola o sino toca e dezenas de rapazes saem correndo, e atravessam de propósito seu caminho. A cena seguinte mostra a hesitação de Elizabeth, uma menina com um vestido azul brilhante, perdida em meio às cartolas dos rapazes que a cercavam.

A princesa Elizabeth tinha só 25 anos quando o pai, George VI, morreu em 1952. Sua ascensão ao trono como Elizabeth II e os primeiros anos de seu reinado são os temas da primeira série de The Crown, uma produção ambiciosa e cara lançada pela Netflix em 4 de novembro. Os primeiros episódios descrevem a história do pós-guerra no Reino Unido da reeleição de Winston Churchill, ao grande nevoeiro de 1952, uma grave poluição atmosférica, que entre os dias 5 e 9 de dezembro encobriu a cidade de Londres, até o mandato de Anthony Eden como primeiro-ministro e a crise do canal de Suez.

Mas The Crown não é apenas um relato da história social e política britânica. O foco principal concentra-se nos conflitos pessoais da família real, não só os de Elizabeth (Claire Foy), enquanto se prepara para assumir o trono. Ninguém poderia imaginar que seria coroada rainha tão jovem; além de algumas lições apressadas do pai antes de morrer, Elizabeth não sabia como se comportar adequadamente nos aspectos práticos da vida na corte. Na primeira audiência com Churchill (John Lithgow), ela o convidou a sentar e lhe ofereceu chá. “Oh querida, ninguém lhe explicou como deveria ser sua conduta?”, disse Churchill. A soberana não oferece chá ou qualquer outra bebida ao primeiro-ministro, nem o convida a sentar, explicou. A perda de tempo com essas delicadezas é um “pecado grave”.

Quando Elizabeth começou a desempenhar seus deveres de rainha, foi difícil reconciliar o conflito entre a vida pública e privada. O mundo a via como a rainha Elizabeth II. Em casa ela era Lilibeth, uma esposa, mãe e irmã, mesmo que a casa fosse o palácio de Buckingham. Esse conflito constitui o cerne da tensão dramática da série, em especial nas brigas de Elizabeth com Philip Mountbatten (Matt Smith), o orgulhoso oficial da Marinha destinado a viver à sombra da esposa. A confiança que Elizabeth aos poucos adquire em seu papel de rainha reflete-se em sua decisão e firmeza nas atitudes e palavras em casa.

Quando Philip protestou por ter de ajoelhar à sua frente na cerimônia de coroação, “dizendo que iria se sentir como um eunuco, uma ameba, ajoelhado diante da esposa”, Elizabeth lhe disse que era sua esposa e rainha e, portanto, um homem com personalidade forte seria capaz de se ajoelhar perante ambas.

Como o sucesso de Downton Abbey demonstrou (6,6 milhões de espectadores assistiram ao episódio final no dia de Natal de 2015), o mundo glamouroso da aristocracia inglesa atrai um enorme número de admiradores. A família Windsor é uma das mais expostas ao público no mundo, mas também uma das mais protegidas. The Crown proporciona uma visão voyeurística do pretenso mundo em que a família real vive na intimidade e a Netflix não poupou despesas para criar um ambiente autêntico. Assim como as roupas chiquérrimas desenhadas por Michele Clapton, a série mostra um passeio de elefante pelo Commonwealth e uma réplica em tamanho real do palácio de Buckingham. Com um custo de mais de US$100 milhões (£81 milhões), The Crown é o programa de televisão mais caro já produzido. As cinco séries seguintes irão mostrar, cada uma delas, dez anos do reinado de Elizabeth II.

 

Fontes:
The Economist-A portrait of the Queen as a young woman

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1 Opinião

  1. Markut disse:

    Um remanescente, no mundo ocidental, da longa pompa e circunstância ,deste antigo reinado, como símbolo da importância de um modelo de governo, que não governa.

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