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Nível alto de poluição na Índia preocupa o país

Narendra Modi, primeiro-ministro da Índia, precisa analisar com atenção os erros cometidos pela China antes que seja tarde demais

Nível alto de poluição na Índia preocupa o país
Se a Índia começar a emitir tanto gás carbônico quanto a China, a concentração das emissões de dióxido de carbono dos Estados Unidos na atmosfera aumentará todos os anos (Reprodução/Economist)

Os monumentos nacionais estão envoltos em fumaça. Pedestres e policiais de trânsito tapam as bocas com máscaras em uma vã tentativa de não respirar o ar poluído e fétido. As crianças engasgam nas salas de aula. Há dois anos essas cenas seriam comuns em Pequim, na época com níveis alarmantes de poluição atmosférica, que atraíram a atenção do público para o histórico sombrio da situação ambiental da China e obrigou o governo a tomar providências. Hoje, são cenas mais comuns em Nova Délhi, a capital da Índia, a cidade mais poluída do mundo. O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, precisa inspirar-se no exemplo catastrófico da China para reformular as leis referentes à política ambiental.

Se a Índia começar a emitir tanto gás carbônico quanto a China, a concentração das emissões de dióxido de carbono dos Estados Unidos na atmosfera aumentará todos os anos. Por esse motivo, as medidas para controlar a poluição beneficiariam o mundo inteiro. Porém beneficiariam ainda mais os indianos.                                                                                                               grph

Mas a Índia tem algumas vantagens em relação à China. Quando os chineses iniciaram suas reformas econômicas, o país tinha um nível assustador de poluição provocado pela indústria pesada soviética. A Índia tem menos chaminés industriais e um setor de serviços maior. Os burocratas indianos não precisam cumprir metas de crescimento econômico, o que na China incentiva as autoridades locais a privilegiar a produção, em prejuízo de uma água mais limpa e um ar mais puro. E embora os indianos às vezes sejam negligentes quanto às questões ambientais, eles têm uma tradição antiga de leis de preservação do meio ambiente.

No entanto, a Índia ainda tem um longo caminho a percorrer. A fumaça tóxica dos equipamentos de cozinha mata cerca de 1 milhão de pessoas por ano. As dez usinas a carvão de geração de energia elétrica expelem gases de compostos sulfúricos. As leis, apesar de numerosas, são fracas ou não são aplicadas com rigor. O Pollution Control Board não exerce nenhum controle de proteção ambiental. Grupos de ambientalistas processaram o governo por sua inércia e, em consequência, a Suprema Corte desempenha um papel mais importante na proteção do meio ambiente do que os tribunais superiores de países maiores, uma estranha maneira de criar uma política ambiental.

Felizmente, a Índia tem planos de despoluição. O país eliminou os subsídios ao diesel em 2014 e, portanto, as empresas têm menos motivos para investir em geradores e veículos poluentes e ineficazes. Os próximos subsídios a serem cortados são os da parafina. As usinas de geração de energia elétrica que poluem o meio ambiente serão fechadas. Os estados devem seguir o exemplo de Gujarat, Maharashtra e Tamil Nadu, que irão lançar os primeiros instrumentos do mundo para controlar as emissões de material particulado, que poluem a atmosfera. Os líderes da Índia precisam reconhecer que a poluição resultante de atividades para melhorar a vida das pessoas é um obstáculo ao progresso, e que as emissões de gases poluentes têm de ser controladas sem prejudicar o crescimento econômico. A China esperou tempo demais para tomar medidas de proteção ambiental; a Índia não pode cometer o mesmo erro.

Fontes:
Economist-Indian winter

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