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MIANMAR

Nobel da Paz de Mianmar se cala frente à violência contra minoria

Pelo menos 123 mil Rohingya fugiram de Mianmar rumo a Bangladesh desde o final do mês passado

Nobel da Paz de Mianmar se cala frente à violência contra minoria
Rohingyas fogem para Bangladesh (Foto: UNHCR/Vivian Tan)

Descritos pelas Nações Unidas como um dos povos mais perseguidos do mundo, os Rohingyas são muçulmanos que vivem em Mianmar há várias gerações. O governo do país, no entanto, os considera como novos imigrantes, e não lhes concede cidadania. O povo enfrenta severas restrições nos direitos básicos. Eles vivem em Rakhine, estado no oeste de Mianmar, mas agora milhares estão fugindo de Mianmar rumo a Bangladesh para se salvar de uma crescente onda de violência no país.

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Segundo a Agência da ONU para Refugiados (Acnur), pelo menos 123 mil Rohingyas fugiram de Mianmar rumo a Bangladesh desde o final do mês passado. Segundo autoridades de Bangladesh, pelo menos 46 morreram na semana passada quando seus barcos viraram na travessia do rio que corta os dois países. Grupos de direitos humanos e as Nações Unidas acreditam que o êxodo que começou no mês passado deve continuar.

A situação se complicou em 25 de agosto, quando militantes Rohingyas, que fazem parte do grupo Arakan Rohingya Salvation Army, atacaram postos policias e uma base militar, matando pelo menos 12 membros de segurança. Em resposta, os militares mataram 370 Rohingyas. Os Rohingyas que conseguiram fugir contam que viram pessoas atirando de helicópteros em civis e diversas casas sendo incendiadas. Os Rohingyas que fugiram do país também contam que membros do Arakan Rohingya Salavation Army tentaram impedir os homens de fugir e exigiram que eles ficassem e lutassem contra o governo.

O estado de Rakhine é lar de cerca de um milhão de Rohingyas. Segundo a Anistia Internacional, milhares enfrentam o aumento do risco de violência, além da falta de comida. Para piorar, agências de ajuda humanitária dizem que o governo continua a bloquear seu acesso ao estado de Rakhine.

A crescente onda de violência aumentou as críticas contra Daw Aung Suu Kyi, a líder do país, que recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1991 por sua luta contra a ditadura militar. Kyi passou 15 anos em prisão domiciliar depois de vencer uma eleição presidencial em 1988. A junta militar que governava na época se recusou a aceitar o resultado. Apenas em 2015, quando seu partido, a Liga Nacional pela Democracia, venceu com maioria esmagadora, Kyi foi nomeada conselheira do Estado, num acordo constitucional de partilha do poder. Ainda hoje, é impedida por lei de assumir a presidência, e as Forças Armadas controlam muito dos instrumentos de poder do Estado. Kyi e seu governo argumentam que os Rohingyas são migrantes de Bangladesh e não merecem a cidadania de Mianmar.

Na última segunda-feira, 4, a paquistanesa Malala Yousafzai pediu que Kyi falasse sobre a situação dos Rohigya. “Venho condenando reiteradas vezes nos últimos anos esse tratamento trágico e vergonhoso. Ainda aguardo para ver minha colega laureada Kyi fazer o mesmo. O mundo aguarda e os muçulmanos Rohingya aguardam”, disse na rede social.

(Foto: Twitter/@Malala)

(Foto: Twitter/@Malala)

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