Início » Internacional » Nova biografia do ‘pai da era nuclear’, Enrico Fermi
BIOGRAFIA

Nova biografia do ‘pai da era nuclear’, Enrico Fermi

Uma nova biografia de Enrico Fermi descreve a personalidade brilhante e carismática de um dos mais importantes físicos experimentais e teóricos do século XX

Nova biografia do ‘pai da era nuclear’, Enrico Fermi
Aos 37 anos, Fermi ganhou o prêmio Nobel de Física (Foto: Flickr)

Pouco antes do amanhecer do dia 16 de julho de 1945, Enrico Fermi deitou-se na areia do deserto de Alamogordo no Novo México à espera de um grande acontecimento. Às 5h30, a primeira explosão nuclear do mundo ocorreu a 16 km de distância. Fermi contou os segundos após o brilho repentino da explosão, antecipando a chegada da rajada de vento. Com calma, Fermi levantou-se e viu os pedaços de papel que flutuavam no ar impulsionados pelo vento. O teste nuclear de Trinity, disse depois de fazer alguns cálculos rápidos, tinha liberado o equivalente a 10 quilotons de TNT.

Nessa época, Fermi já era uma celebridade entre os físicos. Uma criança prodígio em matemática na Itália, ele devorava textos escritos para adultos. Ao longo de sua vida, ele guardou poucos livros, preferindo tirar conclusões dos princípios básicos da física.

Ao assumir cargos diferentes na área de pesquisa acadêmica na Itália e no exterior, em uma rara combinação, Fermi revelou-se não só um extraordinário teórico, como também um adepto dos princípios e procedimentos experimentais em todos os campos da física. Ele tinha uma capacidade excepcional para fazer cálculos difíceis, como demonstrado mais tarde pelo cálculo da energia liberada pela bomba no teste nuclear de Trinity de 18 quilotons, um número bem próximo da estimativa feita no deserto do Novo México. Em seu método de raciocínio, Fermi preferia concentrar-se nos fundamentos de um problema. As soluções de Fermi eram quase sempre tão precisas que seus colegas em Roma o chamavam de “papa”.

Em 1938, aos 37 anos, Fermi ganhou o prêmio Nobel de Física por sua demonstração da existência de novos elementos radioativos produzidos pela irradiação de nêutrons, e pela descoberta de reações nucleares provocadas por nêutrons lentos. Após receber o prêmio em Estocolmo, Fermi partiu para os Estados Unidos com a família fugindo de uma Itália cada vez mais fascista. Logo depois de chegar a Nova York, envolveu-se no Projeto Manhattan, que produziu as primeiras bombas atômicas durante a Segunda Guerra Mundial.

David Schwartz, autor de The Last Man Who Knew Everything, é filho de outro físico vencedor do prêmio Nobel. A leitura instigante da correspondência do pai sobre Fermi, levou-o a pesquisar mais informações a respeito da vida e obra do grande físico italiano. Schwartz entrevistou muitos alunos e colegas de Fermi, e destacou seu importante papel como professor. As anotações de suas aulas feitas por assistentes foram transcritas em livros que ainda são publicados com sucesso por seu pioneirismo.

Schwartz transmite a beleza estética das ideias de Fermi sem se deter em minúcias. Fermi é descrito como um líder natural, tanto em suas pesquisas em laboratórios, como em trilhas perto dos locais de trabalho em Roma e no Novo México, e nas quadrilhas que aprendeu a dançar nos EUA. No entanto, apesar de sua sociabilidade, Fermi era extremamente discreto em relação às suas emoções e aos projetos em que se envolvia.

Por esse motivo, assim como outros biógrafos Schwartz não tem resposta a muitas perguntas. Ele aceitou a indicação de Benito Mussolini para ser membro da Academia Real da Itália, por causa dos recursos para financiar suas pesquisas? Seu envolvimento no Projeto Manhattan foi resultado de um ato de patriotismo pelo país que o adotou, ou por seu conhecimento de física nuclear? Ou por sua curiosidade em participar do projeto de fabricação de uma bomba nuclear?

Fermi foi descrito por um de seus alunos como o homem que sabia tudo. Ele continuou a fazer descobertas importantes em física de partículas, geofísica e astrofísica.E nunca parou de calcular. Pouco antes de morrer usou um cronômetro para medir a quantidade de medicação que recebia via intravenosa. Um problema simples, quando concentrado em seus elementos essenciais.

Fontes:
The Economist - Enrico Fermi, father of the nuclear age

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *