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Nova regulamentação de pesca pode ajudar a proteger a fauna marinha

Nova proposta à União Européia visa proteger o meio ambiente limitando a profundidade permitida para a pesca

Nova regulamentação de pesca pode ajudar a proteger a fauna marinha
A prática desregulada de pesca pode afetar o equilíbrio da vida marinha (Foto: Wikipedia)

Os pescadores que fazem pesca oceânica estão sempre à procura de novos lugares, assim que esgotam as reservas de peixes de outros locais. Na década de 1970, depois de quase extinguirem a pesca continental em águas pouco profundas, os pescadores europeus que pescam com rede de arrasto voltaram sua atenção para as águas profundas da região nordeste do oceano Atlântico.

Porém mesmo em águas mais profundas a quantidade de peixes teve uma redução expressiva. Um estudo publicado em 2009 revelou que em profundidades de cerca de 1.500 metros o número de peixes diminuiu 70% ao longo de 25 anos. Em águas ainda mais profundas a diminuição foi de 20%. Com o objetivo de conter esse declínio a União Europeia (UE), que regulamenta a pesca em grande parte dessa área, propôs limitar a profundidade da pesca com rede de arrasto. Essa medida criaria uma reserva marinha abaixo desse limite e seria uma forma de proteção adicional ao sistema de cotas existente. A questão é como precisar o limite a ser definido para a pesca de rede de arrasto, devido aos poucos dados científicos disponíveis.

No entanto, novas informações surgiram com a publicação oportuna, em Current Biology, de um estudo de Jo Clarke da Universidade de Glasgow e de Francis Neat da agência governamental Marine Scotland Science. O trabalho deles sugere que o limite adequado seria de 600 metros de profundidade, um nível abaixo do qual os danos ecológicos causados pela pesca com rede de arrasto têm um aumento significativo. Os pesquisadores observaram que a biodiversidade aumenta com a profundidade. Em média, a cada 100 metros há um acréscimo de 18 espécies de peixes.

A UE ainda não se manifestou a esse respeito. As regulamentações da pesca são notoriamente influenciadas por interesses pessoais velados, com a ciência em um segundo plano bem distante. Mas a proposta de Clarke e Neat, além de clara e simples, tem uma lógica incontestável de proteção à fauna marinha. Por esse motivo, seria uma boa base para iniciar as negociações.

Fontes:
The Economist - Drawing the line

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