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REPRODUÇÃO

Novas técnicas de fertilização

Um experimento realizado por pesquisadores japoneses em camundongos oferece, apesar de remota, uma nova esperança para a reprodução humana

Novas técnicas de fertilização
Método permitiria que homens, mulheres e casais homossexuais tivessem filhos (Foto: Public Domain Pictures)

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Independente de questionamentos quanto à segurança, a ideia de clonar pessoas, ou seja, de retirar uma célula do tecido do corpo de um homem ou de uma mulher e reproduzi-lo em um novo ser humano com os mesmos genes de seu progenitor, é um tabu para muitas pessoas. Mas se essa célula for reproduzida em um óvulo ou em um espermatozoide, que poderia ser usado em uma fertilização in vitro? Esse método de reprodução permitiria que homens, mulheres e casais homossexuais, que querem ter filhos com os genes dos pais, realizassem seu desejo sem recorrer à inseminação com um óvulo ou um espermatozoide de um doador.

Essa ideia ainda está distante da realidade dos seres humanos. Porém Katsuhiko Hayashi e seus colegas da Universidade Kyushu, em Fukuoka, Japão, fizeram esse experimento com camundongos. Como descreveram em um artigo publicado esta semana na revista Nature, já existem animais presos em caixas especiais no laboratório da universidade, cujos antecedentes maternos são óvulos provenientes não dos ovários das mães, mas sim de células do corpo, ou células somáticas das caudas das mães.

Hayashi e seus colegas não criaram os óvulos e espermatozoides diretamente das células somáticas. Como primeira etapa, essas células precisam passar por uma transformação alquímica, que as fazem regredir para a forma anterior de uma célula-tronco pluripotente. Células somáticas adultas (óvulos e espermatozoides inclusive), ou células-tronco, têm a capacidade de dividir-se, proliferar e de se transformar em componentes celulares de um tecido específico. As células-tronco pluripotentes são, por sua vez, anteriores a essas células-tronco que formam tecidos.

Em estado natural, as células pluripotentes restringem-se aos embriões. Os primeiros pesquisadores que se dedicaram a estudar as técnicas de clonagem precisaram “cultivá-las” para seus experimentos, o que criou problemas éticos com embriões de seres humanos. Esse “cultivo” não é mais necessário. Em camundongos, homens e muitas outras espécies, as células pluripotentes podem ser geradas a partir de uma célula comum do corpo, com o acréscimo de cópias ativas de quatro genes do código genético, que provocam a pluripotência.

Essas células-tronco de pluripotência induzida constituíram o ponto de partida da pesquisa de Hayashi. Como havia descoberto em suas experiências com a criação de espermatozoides, a aplicação criteriosa de uma molécula chamada proteína morfogenética óssea 4 (BMP-4) transformava as células pluripotentes em células germinativas primordiais, o tipo de célula-tronco que antecede o espermatozoide e os óvulos.

A evolução dessas células germinativas primordiais dependerá do sexo do tecido em que forem injetadas. Em seus experimentos iniciais, Hayashi injetava essas células em testículos de camundongos recém-nascidos, que se transformavam em espermatozoide no processo de meiose, a divisão celular essencial para a formação de gametas. No experimento relatado na revista Nature, o pesquisador usou o tecido ovariano extraído de fetos de ratos para induzir a formação de um óvulo no processo de meiose.

Com o objetivo de controlar com mais precisão o experimento, Hayashi extraiu as células para a formação dos óvulos de um camundongo de olhos escuros. Em seguida, fertilizou os óvulos criados in vitro com o espermatozoide de um rato macho com olhos cor-de-rosa, e implantou os embriões em fêmeas de olhos rosados. Para alegria dos pesquisadores os filhotes nasceram com olhos escuros, em razão de um gene proveniente dos óvulos gerados pelo tecido da cauda das mães. Além disso, como havia acontecido com o espermatozoide gerado pelas células somáticas, os filhotes tiveram um desenvolvimento normal até a idade adulta e foram capazes de se reproduzir.

Ainda há um longo caminho a percorrer até que os cientistas possam fazer esse mesmo experimento em pessoas. Em primeiro lugar, o uso de tecido embrionário humano em qualquer etapa do processo seria inviável por razões éticas. Assim, seria preciso descobrir quais substâncias químicas nos testículos e ovários indicariam se as células germinativas primordiais dariam origem a óvulos ou a espermatozoides.

Além disso, no momento o processo de Hayashi e seus colegas é extremamente ineficaz. Só 3,5% dos embriões gerados pelo tecido da cauda se desenvolveram, em comparação com cerca de 60% dos embriões de óvulos normais que geraram filhotes. Por fim, embora os ratos sejam cobaias úteis para pesquisar muitas questões no campo da medicina, o papel deles resume-se a serem usados em experimentos científicos.

Fontes:
The Economist-Making sex cells from body cells

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