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Paleontologia

Novo fóssil de um réptil é diferente de tudo já encontrado

Membros do Atopodentatus unicus parecem ter evoluído em nadadeiras, o que sugere que o animal era aquático, mas seus dedos do pé pareçem adaptados para andarem no solo

Novo fóssil de um réptil é diferente de tudo já encontrado
Fóssil é, sem dúvida, o mais espetacular encontrado até agora (Reprodução/Economist)

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A província de Yunnan, na China, abriga a formação Luoping, na qual se encontra fósseis em ótimas condições de criaturas que habitavam os mares há 240 milhões de anos, durante o período triássico. O último a ser encontrado – e sem dúvida o mais espetacular até agora – é o Atopodentatus unicus, descrito na semana passada no periódico Naturwissenschaften, por Long Cheng, do Instituto de Geologia e Recursos Minerais de Wuhan, e sua equipe.

O Atopodentatus unicus não se assemelha a nenhum outro fóssil conhecido. Seus membros parecem ter evoluído em nadadeiras, o que sugere que o animal de fato era aquático, embora os seus dedos do pé pareçam adaptados para andarem no solo, uma vez que se assemelham àqueles de animais ungulados. Ademais, sua pélvis é incomumente sólida e bem estruturada para uma criatura que podia contar com a flutuação na água para contrabalançar a força da gravidade. Também há a sua cabeça: pequena, em forma de pá e armada com mais de 175 dentes, cujas extremidades são pontudas e cujas bases se assemelham a lâminas, dispostos de maneira semelhante a um pente. E o Dr. Groom acha que eles se tratavam justamente disso: um pente, embora não se destinasse a pentear nada.

Ele acha que o Atopodentatus unicus “penteava” o leito marinho e também, provavelmente, praias e poços expostos na maré baixa à procura de criaturas subterrâneas tais como minhocas. A forma de pá da cabeça dos animais fortalece essa ideia, já que isso facilitaria revolver sedimentos. Sua necessidade de andar sobre o leito marinho ao mesmo tempo em que mexia no solo com a cabeça explica os ossos dos dedos do pé. E a saída da água para curtas sessões de exploração do solo explica a pélvis forte. Como o Atopodentatus unicus se integra à árvore da vida, portanto, é um mistério – e um lembrete de quão pouco entendida ainda é a história da vida.

Fontes:
The Economist-Shovel face

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