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APRIMORAMENTO

O ambicioso projeto do Senegal

O governo do Senegal está construindo um novo centro urbano para diminuir os problemas de infraestrutura de Dacar

O ambicioso projeto do Senegal
Em 2035, a cidade futurista de Diamniadio será o centro urbano mais moderno do Senegal (Foto: Wikimedia)

Há quatro anos, um enorme canteiro de obras recebe os visitantes que chegam a Dacar, a capital do Senegal. Cortado ao meio pela autoestrada do novo aeroporto internacional Blaise Diagne, tem diversos prédios acabados e em fase de construção, além dos tradicionais baobás e de grandes cartazes com anúncios de shows de artistas.

Em 2035, a cidade futurista de Diamniadio será o centro urbano mais moderno do Senegal.  É o principal projeto do presidente Macky Sall no âmbito do Plano Emergente do Senegal, uma ambiciosa série de iniciativas destinadas a impulsionar o desenvolvimento e a modernização do país até 2035.

Localizada a 40 km de Dacar, onde os engarrafamentos, o alto custo das moradias e a superpopulação criam um caos urbano, a construção de Diamniadio é um projeto do governo para melhorar a qualidade de vida da capital e estimular o crescimento econômico do país. Os críticos dizem que é um projeto megalomaníaco do presidente Sall, que está concorrendo à reeleição em 2019.

A construção da nova cidade terá um custo de US$ 2 bilhões. Seus 1.644 hectares serão subdivididos em quatro setores de 400 hectares, que abrigarão o espaço reservado aos ministérios, a Cidade do Conhecimento, a Universidade Amadou Mahtar Mbow (UAM), com capacidade de acolher 30 mil alunos, um parque industrial e uma “cidade inteligente”. O projeto habitacional com prédios de luxo e moradias de classe média foi elaborado para atender a uma população de 350 mil habitantes.

A ideia do projeto não é nova. A cidade de Dacar foi construída no século XIX, quando o Senegal era uma colônia francesa, para abrigar 300 mil pessoas. Hoje, Dacar tem 3 milhões de habitantes e uma infraestrutura antiga e deficiente. Os quatro presidentes do Senegal eleitos após a independência fizeram planos de construir um novo centro urbano, mas por motivos diversos os planos não se concretizaram.

Os que apoiam o projeto dizem que será a solução para os inúmeros problemas da capital e uma fonte de geração de empregos. Os críticos, por sua vez, receiam que o alto custo do projeto comprometa a economia ​​do país nos próximos anos.

Outros alegam que a população de baixa renda não terá condições de morar na nova cidade. “A maioria da população do Senegal é pobre e, mesmo as moradias mais baratas, não estarão ao alcance de um trabalhador médio senegalês, com um salário mensal de US$ 144“, disse Cheikh Cissé, um urbanista e pesquisador. “A ideia de construir uma cidade para a classe média é um equívoco, uma vez que só 3% da população pertence à classe média”, acrescentou.

As críticas ao governo não se limitam à construção de Diammiadio. O pedágio da autoestrada no valor de 2500 francos CFA (cerca de US$ 4,50) é considerado caro e o projeto do trem expresso que ligará Dacar a Diamniadio, com um custo de mais de US$ 900 milhões, tem sofrido uma série de atrasos.

Nesse período de quatro anos de construção da nova cidade, o governo só inaugurou um hotel, um ministério, o centro de conferências Dakar Abdou Dicuf e o Arena Dakar, um complexo esportivo.

O parque industrial tem quatro fábricas. A principal é ocupada pela C&H Garment Manufactury, uma empresa chinesa de fabricação de roupas para exportação. A China irá investir 60 bilhões de francos CFA (cerca de US$ 105 milhões) na construção da segunda etapa do parque industrial. A Universidade UAM, que deveria ter sido inaugurada no período letivo de 2017-18, ainda está sendo construída, assim como a maioria dos prédios residenciais.

Segundo Papa Sow, executivo da Delegação Geral de Promoção do Polo Urbano (DGPU), o projeto de Diamniadio, financiado por uma parceria público-privada, está seguindo o cronograma previsto.

Mas o governo também tem motivos para comemorar. O Senegal está crescendo a uma taxa anual de 6-7% e a emissão de eurobônus gerou uma receita de US$ 10 bilhões em março. Por outro lado, a estabilidade política e econômica do país tem atraído investidores estrangeiros.

No entanto, os problemas mais estruturais ainda precisam ser solucionados, como a escassez de água em Dacar no verão, protestos de estudantes contra os atrasos no pagamento das bolsas de estudo e atrasos nos salários dos professores universitários. Além disso, de acordo com dados do Banco Mundial, no final de 2017 a dívida pública do Senegal correspondia a 61% do PIB e a dívida externa a 62%.

Mas esses fatos não diminuem o entusiasmo pelo projeto de Diamniadio. Papa Sow afirma que a nova cidade se igualará às cidades mais modernas dos países desenvolvidos e iniciará uma nova etapa na história do país.

Fontes:
Quartz-Senegal is building a futuristic city to deal with its congestion problems

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