Início » Internacional » O apuro dos ciganos europeus
Problema social

O apuro dos ciganos europeus

Já faz sete anos desde que a 'Década da Inclusão Cigana' europeia foi lançada em 2005 em um hotel à beira do rio em Budapeste

O apuro dos ciganos europeus
Menos de 30% dos ciganos pesquisados são trabalhadores assalariados (Reprodução/The Economist)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

“Não houve muito progresso nos últimos dez anos”, afirma Andrey Ivanov, um conselheiro do Programa de Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (UNPD). Apesar da conscientização cada vez maior dos problemas sociais dramáticos relacionados à exclusão de ciganos e de uma vontade de fazer algo por eles, os governos da União Europeia tiveram muito pouco sucesso em aliviar a situação desfavorável da minoria étnica mais marginalizada da Europa.

Muito mais precisa ser feito para ajudar os cerca de 10 milhões de ciganos europeus, dizem os autores de um novo relatório do UNPD, Banco Mundial e Agência para os Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA). Eles conduziram uma pesquisa em 84.000 residências em 11 países por todo o continente. O que eles descobriram foi sombrio: apenas 15% dos jovens adultos ciganos pesquisados haviam completado o ensino superior ou algum treinamento vocacional, comparado a mais de 70% da maioria da população circundante. Menos de 30% dos ciganos pesquisados são trabalhadores assalariados. E cerca de 45% deles vivem em casas que não contam com um dos seguintes itens: cozinha interna, vaso sanitário, chuveiro ou banheira ou eletricidade.

As condições de assentamentos ciganos nos arrabaldes de cidades e vilas equipara-se aos seus congêneres africanos ou indianos em termos de carestia. E a maioria dos ciganos no leste europeu (onde a maioria dos ciganos europeus vivem) vivem em uma situação pior hoje em dia do que na época do comunismo, o qual, apesar de todos os seus problemas, pelo menos garantia trabalho, habitação e uma rede de proteção social. Este regime também reduzia a quantidade de crimes de ódio que agora emergem em intervalos regulares.

Já faz sete anos desde que a “Década da Inclusão Cigana” europeia foi lançada em 2005 em um hotel à beira do rio em Budapeste. A fim de reduzir a lacuna entre ciganos e não-ciganos, as estratégias nacionais precisarão ser executadas com mais eficiência. Os autores do relatório recomendam aos formuladores de políticas públicas que prestem mais atenção à participação escolar e à realização do ciclo escolar completo de crianças ciganas; às capacidades e educação dos ciganos que procuram emprego; às necessidades habitacionais dos ciganos e às suas condições de saúde. Também é importante focar mais no combate contra a discriminação e elevar a conscientização dos ciganos de seus direitos fundamentais.

Fontes:
The Economist - The plight of Europe's Roma

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

1 Opinião

  1. Regina Caldas disse:

    Os ciganos são discriminados na Europa. No verão passado foram expulsos de Paris.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *