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MERCADO EM ALTA

O paradoxo do boom imobiliário na Venezuela

As empresas na Venezuela estão transformando dinheiro em concreto o mais rápido possível

O paradoxo do boom imobiliário na Venezuela
Cerca de 400 mil m2 de prédios de escritórios e espaços comerciais estão sendo construídos na cidade (Foto: Wikimedia)

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Ao olhar para o céu em bairros elegantes de Caracas, a capital do país mais problemático da América do Sul, a surpresa é grande. Dezenas de guindastes estão construindo prédios de escritórios, alguns já em fase final de construção em meio à mais grave recessão da Venezuela. Na área badalada de Las Mercedes, o barulho das britadeiras começa pouco depois das 7 horas todos os dias da semana.

Cerca de 400 mil m2 de prédios de escritórios e espaços comerciais estão sendo construídos na cidade. “É um boom imobiliário”, disse Carlos Alberto González Contreras, presidente da Câmara Imobiliária da Venezuela. No entanto, não é um sinal de otimismo que o governo autoritário da Venezuela esteja solucionando os problemas econômicos colossais que criou. Ao contrário, é uma estratégia desesperada para tentar contorná-los.

As empresas em Caracas têm contas bancárias cheias de bolívares venezuelanos em rápida desvalorização e poucas opções de gastá-los. No sistema complicado de controle monetário da Venezuela, com duas taxas de câmbio oficiais, é quase impossível converter bolívares em dólares com uma taxa aceitável. Usar o dinheiro para comprar imóveis é um recurso que em geral não funciona: essas transações são feitas (ilegalmente) em dólares e no exterior. Então, a solução é construir novos prédios.

A mão de obra é barata. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, faz aumentos sucessivos no salário mínimo, quatro este ano, como uma prova da generosidade da Revolução Bolivariana iniciada por seu antecessor, Hugo Chávez. Entretanto, os aumentos não acompanham a inflação que, segundo o FMI está em uma taxa anual de 700%. Na taxa do bolívar no mercado negro, que caiu 40% no mês passado, os operários ganham cerca de US$30 por mês.

É quase impossível descobrir os nomes das empresas que estão financiando as construções em Caracas, uma cidade reticente em revelar segredos. Mas os boatos mencionam operadoras de redes de telefonia móvel, bancos e empresas do setor farmacêutico. Pernod Ricard, uma empresa de bebidas francesa, inaugurou um escritório sofisticado em Las Mercedes em agosto como “uma reafirmação de seu compromisso” com a Venezuela, mas comprou o prédio, em vez de construí-lo.

A construção de espaços comerciais é uma solução racional para contornar a crise econômica da Venezuela. Porém os projetos são difíceis. O fornecimento de materiais é escasso e os roubos nos locais de trabalho são comuns.

O boom imobiliário restringe-se a Caracas. A construção residencial pelo setor privado está “praticamente paralisada”, disse González Contreras. Em 2010, foram construídas 90 mil casas no país. De acordo com suas estimativas, o número deve se limitar a 5 mil este ano.

Fontes:
The Economist-Maduro's boom

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