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ONDA POPULISTA

O capitalismo está ameaçado?

Em 1942, Joseph Schumpeter se mostrou pessimista quanto ao futuro do capitalismo. A ascensão do populismo o ameaça mais uma vez

O capitalismo está ameaçado?
Seria um exagero dizer que o capitalismo não tem condições de sobreviver? (Foto: Flickr/Tax Credits)

Em 1942, Joseph Schumpeter publicou seu único best-seller, Capitalism, Socialism and Democracy. O livro fez sucesso por um bom motivo. Foi um trabalho notável de análise econômica, de história e sociologia. Cunhou expressões memoráveis como “destruição criativa”. Mas é um livro profundamente sombrio. Em uma época em que as pessoas procuravam vislumbres de esperança em meio à luta de vida e morte com o nazismo, Schumpeter só oferecia tristeza. “O capitalismo pode sobreviver?” perguntou. “Não, acho que não sobreviverá.”

Seria um exagero repetir as palavras do grande economista austríaco que o capitalismo não tem condições de sobreviver? A alternativa socialista proposta em 1942 implodiu. O capitalismo permitiu que os países emergentes se libertassem de séculos de pobreza. Mas no Ocidente os problemas que preocuparam Schumpeter aumentaram. E surgiram novas dificuldades que ele não previu.

A intelligentsia anticapitalista, um elemento autodestrutivo do capitalismo, era a maior preocupação de Schumpeter. Hoje, essa elite de intelectuais, que vive nos bairros sofisticados de Los Angeles e espalha-se pelos departamentos das universidades, se expandiu. Os estúdios de Hollywood criticam os lobos de Wall Street e os vândalos ambientais do setor de petróleo. O número de intelectuais liberais que apoia os grandes governos é bem superior ao número de conservadores, em uma proporção de cinco a um, segundo um estudo recente.

Ao mesmo tempo, a democracia está se tornando mais disfuncional. Platão dizia que no governo representativo os cidadãos “viviam o dia a dia, ao sabor do prazer momentâneo”. Ele tinha razão. A maioria das democracias gasta em excesso para dar aos cidadãos o que eles querem no curto prazo, como cortes de impostos e mais bem-estar social, e negligenciam os investimentos de longo prazo. Além disso, os lobistas e outros direitos adquiridos criaram uma ciência para manipular o sistema, com o objetivo de produzir benefícios privados.

O resultado dessa mistura de fatores nocivos é a onda de populismo que está destruindo rapidamente as bases da ordem internacional pós-guerra e, em consequência, provoca uma grande instabilidade social, política e econômica no mundo. Como a estagnação econômica gera o populismo, a preocupação excessiva com a vontade popular reforça a estagnação.

Fontes:
The Economist-Our Schumpeter columnist pens a dark farewell

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