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Terremoto no Nepal

O cineasta que imaginou o colapso de Katmandu

Em janeiro, o nepalês Kiran Joshi e sua equipe de animadores criaram cenas dramáticas mostrando a Katmandu moderna em ruínas após um forte terremoto

O cineasta que imaginou o colapso de Katmandu
O cineasta nepalês Kiran Joshi (Reprodução/WashPost)

Enquanto o mundo acordava, no domingo, com as imagens horríveis de morte e destruição no Nepal, o cineasta Kiran Joshi sentava-se em um quarto de hotel em Pequim sentindo-se mal do estômago. Ele, que estivera em Katmandu apenas 12 horas antes, agora assistia a sua cidade natal queimar no noticiário da TV. Mas havia outra razão para explicar o mal-estar de Joshi diante das cenas de Katmandu. Ele as tinha visto antes – em seu próprio filme.

Joshi havia imaginado o colapso da sua própria cidade em um documentário. A realidade, no entanto, ultrapassava a ficção.

“Pensávamos que estávamos exagerando quando fizemos nosso documentário, mas agora vejo as notícias e a devastação é ainda pior”, disse Joshi em entrevista ao jornal Washington Post na segunda-feira, 27. “É de arrepiar”.

Em 2008, Joshi fundou o primeiro estúdio de animação em Katmandu. Inicialmente, seu estúdio se concentrava em animar filmes para Holywood, mas, em 2010, depois de um terremoto de magnitude 7,0 na escala Richter nivelar Port-au-Prince, capital do Haiti, Joshi percebeu que havia um trabalho importante a ser feito no Nepal, que também está sobre uma falha sísmica.

Em janeiro, Joshi lançou o documentário “Moving Mountains” (Montanhas que se movem), estrelando alguns dos poucos sobreviventes do último terremoto a devastar o Nepal, um tremor de 8,2 graus ocorrido em 15 de janeiro de 1934. Mais de 10 mil pessoas morreram naquele terremoto – principalmente em Katmandu.

Joshi, no entanto, queria fazer mais do que simplesmente lembrar os nepaleses do terremoto anterior. Ele queria incitá-los a tomar medidas para evitar um novo desastre. Então, Joshi e sua equipe de animadores criaram cenas dramáticas mostrando a Katmandu moderna em ruínas após um forte terremoto.

“Basicamente, através da animação, nós destruímos muitos dos monumentos mais famosos de Katmandu, incluindo a Torre Dharahara, nosso principal monumento”, disse Joshi. “A nivelamos. Estávamos tentando dizer, ‘esse é o tipo de devastação que poderia ocorrer'”.

Seu filme digitalmente animado não o preparou para a destruição que veria em Katmandu no domingo.

E “Quando vi o noticiário, vi que a torre havia sido completamente nivelada“, disse. “Essa foi a parte mais devastadora”.

 

Fontes:
Washington Post - Meet the moviemaker who envisioned Kathmandu’s collapse before it happened

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