Início » Cultura » O código de George H. W. Bush
LIVRO

O código de George H. W. Bush

A nova biografia de George H. W. Bush tem muito a ensinar aos republicanos

O código de George H. W. Bush
O código de Bush é intrinsecamente conservador (Foto: Wikipedia)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

As eleições primárias do Partido Republicano para a disputa presidencial em 2016 estão dominadas por frases bombásticas e autoelogios de pré-candidatos estranhos à política de Washington, como o empresário Donald Trump, que adora dizer às multidões que é “muito inteligente” e “muito rico”; e o neurocirurgião aposentado Ben Carson, segundo o qual seu sucesso nas pesquisas de intenção de voto, reflete o “poder de Deus”.

Portanto, não causa surpresa que Jon Meacham, autor de Destiny and Power: The American Odyssey of George Herbert Walter Bush, uma nova biografia instigante do 41º presidente dos Estados Unidos, George H. W. Bush, tenha escrito que na opinião dos atuais americanos o presidente Bush, um aristocrata conservador, orgulhoso do serviço prestado à nação, é um homem “peculiar”.

Com uma temporada eleitoral agitada e muitos discursos acalorados, a cobertura da imprensa por ocasião do lançamento da biografia destacou a decisão do 41º presidente de romper anos de silêncio sobre os erros cometidos por seu filho, George W. Bush, o 43º presidente dos EUA, na política externa do país. O patriarca da família Bush, com 91 anos, disse ao seu biógrafo que o filho envolvera-se, com uma “retórica inflamada”, em conflitos com adversários como o Irã e a Coreia do Norte, sem nenhum benefício óbvio. Ele criticou também a posição “extremista” assumida pelo vice-presidente Dick Cheney.

Poucos ativistas pensam que têm algo a aprender com o clã Bush, com certeza nada que se refira às maneiras aristocráticas. Mas os ativistas estão errados. O horror de George H. W. Bush em ostentar seus méritos ou de mencionar sua “importância”, como sua mãe dizia, reflete um código de honra que não se limita a uma simples norma de conduta.

O código de Bush é intrinsecamente conservador. É rico em ideias de autodisciplina e dever em relação aos outros. Aos 18 anos, o futuro presidente alistou-se nas forças armadas como aviador naval e lutou com bravura no Pacífico. Porém seu código não pode ser romantizado em excesso. Assim como muitos aristocratas, Bush não foi educado para renunciar à ambição, e sim para dissimulá-la. Era capaz de agir com um oportunismo cínico como, por exemplo, na oposição ao projeto de lei de direitos civis em 1964, quando concorria ao Senado no Texas. Os privilégios muitas vezes o ajudaram, como o investimento de amigos da família em sua empresa de petróleo.

No entanto, em sua essência, o privilégio o tornou modesto: Bush sabia o que devia à sorte. E apesar da postura rígida em público como político, sua modéstia associava-se à empatia que sentia pelos outros. Na política e na diplomacia, Bush nunca afirmou que detinha o monopólio da sabedoria.

Os políticos arrogantes multiplicam-se nos partidos da esquerda e da direita. Mas no caso do Partido Republicano, fundamentado no individualismo e na admiração pelo sucesso pessoal, é preciso ter um cuidado especial em não cair na armadilha do narcisismo. Como a mãe de George H. W. Bush costumava dizer, “ninguém gosta de fanfarronice”. Entretanto, o nível de apoio que Trump e Carson têm recebido sugere que os fanfarrões têm um público fiel. Porém, continua a ser um ótimo conselho político.

Fontes:
The Economist-The narscissism trap

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *