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Casamento gay

O debate sobre as crianças

Não existe razão para pensar que famílias do mesmo sexo prejudicam crianças

O debate sobre as crianças
Maioria dos países continua a negar às crianças de pais homossexuais muitas salvaguardas que protegem crianças de casais heterossexuais (Ilustração/R.O.Blechman/NYT)

Os defensores do casamento tradicional dizem que o argumento contra o casamento gay gira em torno, principalmente, do bem-estar das crianças. Então, vamos falar sobre as crianças.

Os riscos para as crianças neste debate caem em duas categorias. Uma delas é legal: uma série de leis e benefícios criados para manter crianças seguras e amadas é negada a crianças que crescem com pais do mesmo sexo. Isso pode ser resolvido sem permitirmos que casais homossexuais sejam reconhecidos como tais perante a lei?

A outra é social: pesquisadores tentaram determinar se crianças que crescem com duas mães ou dois pais têm desempenhos diferentes de crianças crescendo com um pai e uma mãe. Existe alguma razão para pensar que famílias do mesmo sexo são ruins para as crianças? Se assim for, líderes políticos devem legislar com mais cuidado?

A maioria dos países continua a negar a crianças de pais homossexuais muitas salvaguardas que protegem as crianças de casais heterossexuais. A história está repleta de casos de crianças que passam por desgostos e traumas porque seus pais não são reconhecidos como pais. Há casos de mães e pais afastados do leito de hospital de seus filhos sob o argumento de que “não são família”. Há casos de adultos negados direitos de visitação depois de um rompimento. Muitos países restringem a capacidade de um pai gay de adotar ou responder à emergência médica de seu filho. As leis do divórcio foram criadas em grande parte para assegurar que crianças recebam apoio financeiro e emocional quando casamentos acabam: no casamento ou no divórcio, a proibição ao casamento gay garante que algumas crianças não contarão com esse apoio. O estigma de ser tratado como se sua família não fosse uma família “real” equivale a uma autorização oficial para a intimidação e humilhação. As crianças compreendem e interiorizam a sensação de que algo está errado com suas famílias e que elas deveriam se envergonhar.

O que nos traz à questão social.

Pesquisas não mostraram nenhuma desvantagem significativa associada ao fato de uma criança ser criada por mães lésbicas e pais gays — não no desempenho acadêmico, não na saúde psicológica, não no desenvolvimento social ou sexual, não no comportamento violento ou no abuso de substâncias. E as pesquisas não deixam dúvidas de que a estabilidade de se ter uma família com dois pais (de qualquer sexo) oferece uma chance maior de que as famílias terão estabilidade financeira, serão mais atentas à educação dos filhos e mais seguras do que famílias com apenas um pai ou mãe.

Mesmo se as pesquisas mostrassem que os filhos de casais homossexuais se tornam adultos menos bem ajustados que os filhos de casais “normais”, deveria o governo realmente intervir? Afinal, há pesquisas que mostram que crianças cujos pais são de diferentes etnias têm mais dificuldades, em média, do que as crianças com pais da mesma cor. Mas nenhuma pessoa séria sugere voltarmos ao passado no que se refere ao casamento interracial.

 

*Trechos selecionados do artigo de Bill Keller para o New York Times

Fontes:
The New York Times - About the children

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10 Opiniões

  1. Rudy Lang disse:

    Esse camarada está menosprezando o papel da mãe.

  2. Glória disse:

    Rudy, então duas mães seriam melhor que uma?

  3. Rudy Lang disse:

    Oi Glória,
    Acho que duas mães é impossível alguém ter, mas se fosse possível seria ótimo, visto que uma já é excelente.
    Quantas famílias, pelo menos no Brasil, são sustentadas somente pelas mães, visto que a quantidade homens irresponsáveis em termos de família é muito grande, comparada a quantidade de mães que abandonam seus filhos.
    Abraços.

  4. Glória disse:

    Eu acho que você está confundindo a ideia de “mãe biológica” com o “papel de mãe”, que pode ser exercido por qualquer um, seja a mãe adotiva, o pai solteiro ou até mesmo um dos pais ou uma das mães de uma relação homossexual. Sou a favor!

  5. roseli disse:

    hummm! essa de família e muito sério.
    Consta que até a presente data, as Mães e filhos, brigam para reconhecimento da paternidade
    Família não é brincadeira, filhos muito menos.
    A OPIÇÃO sexual; lebisca e gays, não devem colocar em risco a vida de seres indefesos.

    A CRIAÇÃO E DIVINA, é necessária semén de homem e óvulo de mulher.

  6. Rudy Lang disse:

    Oi Glória,
    Visto que não me manifestei contra nada, gostaria de saber o que você que dizer com “SOU A FAVOR”.
    Take it easy.

  7. Carlos Alberto disse:

    O inoportuno sempre volta. Não temos outra coisa a tratar a não ser o casamento gay: homossexualismo é uma opção de cada um. Os intelectuais não escrevem uma linha sequer para defender os hospitais públicos que estão caindo aos pedaços; as escolas que não desempenham bem o seu papel… mas, abriu uma página na internet o ligou uma TV, lá está o assunto.

    A minoria barulhenta quer “enfiar de goela abaixo” um assunto desgastado e sem consistência moral ou jurídica, a Carta Magna diz que o casamento tem que ser entre “um homem” e “uma mulher” e fim de papo!

    Proponho aqui, uma Grande Cruzada em defesa do SUS (Sistema Único de Saúde) e das escolas.

  8. Aureo Ramos de Souza disse:

    quando Jesus falou AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO A SE MESMO não estava mandando que fosse homossexuais amar é gostar, considerar muito o outro mas união que se unam mais adotar criança e ela crescer sabendo que não nasceu deles, e na escola acredito que depois da descoberta haverá o lamentável bulling. Sei lá como isso vai parar, já pensou aquele anjinho de 7 anos ver seus pais bigodudo se beijarem? e se a criança for fazer o mesmo na escola inocentemente. Tem uma piada que diz: Pedrinho qual a profissão de seu pai, Pedrinho responde transsexual e depois da aula a professora pergunta: Pedrinho é verdade o que você disse? Não fessora ele é político se eu disser vão saber que ele é ladrão. E ai, qual melhor, ser politico ou gay?

  9. ROSALINA disse:

    PERGUNTA; EÉ MELHOR SER POLITICO LADRAO OU GAY.]

    RESPONDO COM CONVICÇÃO: politico Ladrão, porque ele recebe e é por tempo determinhado.

  10. Mauricio Fernandez disse:

    Vamos falar do SUS (Sistema Único de Saúde) é bem melhor. Cada um vive do jeito que gosta. O erro é o excesso de espaço para discussões que terminam por legar ao segundo plano o que é verdadeiramente importante e de interesse de todos e não de grupos.

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