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O desenvolvimento intelectual das crianças

Horas de sono regulares são boas para crianças – contanto que sejam meninas

O desenvolvimento intelectual das crianças
As filhas, tudo indica, de fato se beneficiam de um horário fixo de ir para a cama (Fonte: Reprodução/Kobal)

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Naquela época mítica em que as crianças eram vistas, mas não ouvidas, e obedeciam a tudo que lhes era dito, todos sabiam que ter uma hora fixa para ir dormir era importante. “Bons sonhos!”, respondia a maioria dos pais. Mas uma pesquisa de Yvonne Kelly, da University College, Londres, mostra que a sabedoria popular está certa — 50% das vezes. As filhas, tudo indica, de fato se beneficiam de um horário fixo de ir para a cama. O mesmo não se aplica aos filhos.

Ela e uma equipe de colegas examinaram os horários de sono e habilidades cognitivas de 11.178 crianças nascidas na Grã-Bretanha entre setembro de 2000 e janeiro de 2002 que estavam matriculadas em um projeto de pesquisa multidisciplinar chamado Millennium Cohort Study.

As informações das horas de sono usadas pela equipe foram coletadas durante quatro visitas que os entrevistadores fizeram aos domicílios daqueles que participam do estudo. Essas aconteceram quando as crianças tinham nove meses, três anos, cinco anos e sete anos de idade. Além de perguntar se as crianças tinham horários estabelecidos de ir para a cama em dias de semana e se o cumpriam sempre, geralmente, às vezes, ou nunca, os entrevistadores coletaram informações sobre rotinas familiares, circunstâncias econômicas e outras questões — incluindo se as crianças escutavam histórias antes de dormir e se tinham um aparelho de televisão em seus quartos. Às crianças em questão, nas idades de 3, 5 e 7 anos, também se pedia que realizassem testes padronizados de leitura, matemática e consciência espacial, a partir dos quais os seus QIs puderam ser estimados.

O relatório da Dra. Kelly constata que no ponto em que a criança atinge os 7 anos de idade, não ter um horário fixo de ir para a cama de fato parece ter afetado a sua cognição, mesmo quando se controlava para outras variáveis pertinentes como leitura na cama, televisões nos quartos e condições socioeconômicas dos pais. Mas isso é constatado apenas para meninas. Na escala de QI, cujo valor mediano é 100 pontos, as garotas que tinham horários fixos de dormir tiveram uma pontuação entre oito e nove pontos superior àquelas que não o tinham.

Os garotos não ficaram completamente livres de efeitos. Horários irregulares de sono deixaram os seus QIs cerca de seis pontos abaixo de seus contemporâneos de 3 anos de idade. Mas a distinção deixou de existir quando eles atingiram 7 anos de idade.

Texto da revista Economist editado para o Opinião e Notícia
Tradução: Eduardo Sá

Fontes:
The Economist - Children’s intellectual development: Bedtime stories

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