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O dia em que o mundo quase acabou

Livro narra incidente ocorrido em novembro de 1983, no qual equívocos e falhas de comunicação entre EUA e URSS quase culminaram numa guerra nuclear

O dia em que o mundo quase acabou
Livro trata dos acontecimentos que quase desencadearam uma guerra nuclear (Foto: Divulgação)

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A Crise dos Mísseis de 1962, um confronto de 13 dias entre a URSS e os EUA devido à instalação de mísseis nucleares em Cuba, foi um momento de extrema tensão, mas pelo menos os dois lados sabiam que o mundo estava à beira de uma catástrofe.

Em 9 de novembro de 1983, outro incidente entre as duas potências, foi ainda mais perigoso, porque os EUA não sabiam que uma série de equívocos fizera a liderança soviética acreditar em uma guerra iminente. Em 1983: Reagan, Andropov and a World on the Brink, Taylor Downing descreve em um estilo ágil que prende o leitor em um clima de suspense, os acontecimentos que quase desencadearam uma guerra nuclear.

Durante a Guerra Fria as relações entre os países ocidentais e a antiga União Soviética eram extremamente difíceis. A crescente retórica anticomunista de Ronald Reagan e seu antagonismo visceral contra o “império do mal”, como chamava a URSS, inspirou os amantes da liberdade em ambos os lados da Cortina de Ferro, mas assustou a gerontocracia do Politburo.

Sua proposta de criação de um sistema de defesa antimíssil sofisticado para impedir um ataque nuclear aos EUA, um recurso mais seguro para manter a paz do que a teoria da “destruição mútua assegurada” (MAD), que se apoiava na ideia de um equilíbrio bélico entre os países, aumentou ainda mais a tensão.

Quando os soviéticos derrubaram um avião de passageiros das Linhas Aéreas Coreanas que, ao desviar da rota sobrevoara o espaço aéreo russo, o governo americano não duvidou que tivesse sido um ato de violência e provocação, e sim um erro. Os militares soviéticos pensaram que o avião fazia uma missão de espionagem e o abateram.

Os exercícios militares Able Archer da Otan com tropas da Europa Ocidental também foram vistos como uma ameaça. O Kremlin ficou convencido que era uma manobra para encobrir os preparativos da guerra. Uma mudança rotineira de códigos da Otan fez com que os soviéticos presumissem que o ataque nuclear era iminente. Apesar da resposta tranquilizadora de Rainer Rupp, o agente infiltrado da KGB na Otan, que não havia nada de anormal na rotina da organização, o serviço de inteligência soviético continuou a enviar relatórios alarmistas para Moscou.

Ao saber que a União Soviética preparava-se para um ataque nuclear, o tenente-general Leonard Perroots, diretor do serviço de inteligência da Força Aérea dos EUA na Europa, ficou perplexo diante de uma situação desconhecida pelas agências de segurança americanas. Mas, por fim, o equívoco que poderia ter causado uma guerra nuclear, em que os únicos sobreviventes, segundo Downing, seriam as “baratas e os escorpiões” foi desfeito e após uma noite insone Yuri Andropov e os demais líderes da URSS acalmaram-se.

Downing descreve em minúcias o contexto histórico desse episódio da Guerra Fria, talvez detalhado demais para os leitores familiarizados com a história recente da disputa entre os Estados Unidos e a União Soviética pela hegemonia política, econômica e militar no mundo. Um capítulo final mostra que esses momentos de tensão deram origem a documentos mantidos em sigilo pelo governo americano. Só em 2008, após um documentário de Downing exibido na televisão, os documentos foram abertos à consulta pública.

Afinal, Reagan tinha razão. O tênue equilíbrio bélico da teoria MAD não teria impedido uma guerra nuclear que destruiria o mundo.

 

 

 

Fontes:
The Economist-The world almost ended in 1983

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