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MEIO AMBIENTE

O dia em que Trump disse não ao Acordo de Paris

Apesar de uma notificação de saída só ser possível em 2019, o presidente americano já anunciou que os EUA vão se retirar do acordo

O dia em que Trump disse não ao Acordo de Paris
A decisão foi condenada por líderes ao redor do mundo (Foto: Andrea Hanks / White House)

Mais de duas décadas depois de uma menina “silenciar o mundo por cinco minutos” na Rio-92, convenção ambiental que reuniu líderes mundiais no Brasil, o presidente americano, Donald Trump resolveu revogar sua participação no Acordo de Paris na última quinta-feira, 1°. O Acordo de Paris é uma resposta à ameaça das mudanças climáticas, assinado por líderes 195 países, incluindo o ex-presidente americano Barack Obama. Apenas a Síria e a Nicarágua tinham optado por ficar de fora.

Em 1992, a canadense Severn Cullis-Suzuki, que na época tinha 12 anos, fez um discurso emocionante, que até hoje é lembrado pela força de suas palavras. Uma de suas frases de impacto foi: “Sou apenas uma criança e não tenho as soluções, mas quero que saibam que vocês também não têm”.

“Como presidente, não posso considerar nada antes do bem-estar dos cidadãos americanos. O Acordo Climático de Paris é simplesmente o último exemplo de Washington entrando num acordo que traz desvantagens para os Estados Unidos para o benefício exclusivo de outros países, deixando os trabalhadores americanos (que eu amo) e contribuintes com o custo, como a perda de empregos, salários mais baixos, fábricas fechadas e uma diminuição grande da produção econômica”, disse Trump em seu anúncio.

A decisão foi condenada por líderes ao redor do mundo. A chanceler alemã, Angela Merkel, disse que a saída dos EUA não pode e não vai deter o resto do mundo de proteger o planeta. O recém-eleito presidente francês, Emmanuel Macron, disse que o resto do mundo vai reunir suas forças para deter os grandes desafios da humanidade, como as mudanças climáticas. A primeira-ministra britânica, Theresa May, disse estar desapontada com a decisão dos Estados Unidos.

O Reino Unido é um país que deveria pensar bem sobre o pé atrás de Trump. Afinal, Londres sentiu na pele as consequências do pior episódio de poluição do ar da Europa. Em 1952, o chamado “London Fog” (nevoeiro de Londres, em tradução livre) matou pelo menos quatro mil pessoas, enquanto 150 mil tiveram que ser hospitalizadas. Estudos recentes, no entanto, dizem que o número de mortos foi bem maior, mais de 12 mil. Muitas das mortes foram causadas pela queima do carvão, fazendo a tradicional neblina da cidade se tornar extremamente perigosa pela poluição. Décadas depois, a Índia e a China são os novos cenários para névoas de poluição, agora ocasionadas por outros tipos de substâncias químicas. Apesar de não serem tão mortais quanto a de Londres, elas são perigosas e ocasionam uma série de problemas respiratórios na população. Não é a toa que os dois países já estão correndo atrás de investimentos contra as mudanças climáticas.

A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, no entanto, tem um impasse. Segundo o tratado, um país signatário só pode notificar sua intenção de abandonar o acordo três anos depois de sua entrada em vigor. Como o Acordo de Paris só passou a valer em 4 de novembro de 2016, Trump teria que fazer a notificação em 2019. Mas como a saída definitiva do acordo só é efetivada um ano depois da notificação, o dia decisivo seria 4 de novembro de 2020, um dia depois das próximas eleições presidenciais no país. Para evitar o impasse, Trump pode simplesmente sair da Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, o que exigiria uma espera de apenas um ano, mas os Estados Unidos seria a única nação do mundo a não fazer parte do órgão.

Como o Acordo de Paris não estabelece punições para países que não o respeitarem, Trump deve simplesmente ignorar os termos enquanto o país continua como signatário.

Depois de 25 anos de uma criança dizer que o mundo não sabe a solução para os problemas ambientais, a história mostra que ela continua tendo razão.

Fontes:
The New York Times-Our Disgraceful Exit From the Paris Accord
The White House-Statement by President Trump on the Paris Climate Accord
The New York Times-Angela Merkel and Emmanuel Macron Unite Behind Paris Accord
Época-Saída dos EUA do Acordo de Paris pode se confirmar só em 2020

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1 Opinião

  1. laercio disse:

    TRUMP pode ser arrogante mais é inegável que faz medidas para defender seu povo!
    Os novos tempos acusam rompimento de alianças, estas foram boas mas seu tempo já acabou!
    Os novos tempos sinalizam novas atitudes, e, Donald Trump está fazendo o necessário para fortalecer seu país; não importa se os alemães ou outros irão protestar…
    O Brasil tem que adotar esses exemplos e acabar com direitos humanos que usa esse nome doce para ganhar dinheiro, bem como acabar com entidades que maqueiam números e estatísticas para acabar com a segurança

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