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O dilema da liberdade acadêmica na China

China expurga a liberdade de pensamento, mas será possível conter o pensamento livre?

O dilema da liberdade acadêmica na China
Estudantes da China estão mais abertos a influências ocidentais e têm mais liberdades sociais e econômicas do que jamais tiveram (Reprodução/AFP)

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Um lema da Universidade de Pequim, uma das mais importantes instituições acadêmicas da China, é “liberdade de pensamento e uma atitude que tudo abarca”, mas nos últimos meses a universidade não foi aberta o bastante para permitir que Xia Yeliang, polêmico economista, mantivesse seu emprego. Ele foi signatário da Carta 08, uma petição elaborada em 2008 que exigia uma mudança política generalizada, e ele era conhecido por suas posições políticas liberais. (Outro signatário da carta foi Liu Xiaobo, que ganhou o prêmio Nobel da Paz em 2010 e agora está cumprindo uma pena de 11 anos de reclusão por subversão). Xia foi demitido em outubro, acusado de ser um professor ruim. Incapaz de encontrar emprego na China, ele assumiu há algumas semanas o posto de professor visitante no Cato Institute, um centro de estudos em Washington, DC.

O caso de Xia faz parte de uma onda de repressão mais ampla desferida contra intelectuais de pensamento livre na China. Em dezembro Zhang Xuezhong, um jurista, foi demitido da Universidade de Ciências Políticas e Direito da China Oriental após publicar uma série de artigos defendendo as disposições da constituição chinesa. A mídia estatal denominou tais opiniões de uma trama ocidental para derrubar o partido. Também em dezembro Chen Hongguo, acadêmico da Northwest University of Politics and Law em Xi’an, pediu demissão. A universidade havia se manifestado contra, entre outras coisas, suas rodas de leitura que discutiam textos de filósofos ocidentais como John Stuart Mill.

A modernização contínua da China se expressa no fato de que os estudantes estão mais abertos a influências ocidentais e têm mais liberdades sociais e econômicas do que jamais tiveram. Eles usam o Twitter, blogs e conversam livremente sobre os assuntos mais delicados. Isso fez com que a repressão contra os professores parecesse ainda mais chocante. O Partido Comunista, preocupado com a possibilidade de perder o controle, decretou uma série de diretrizes políticas que proíbem o ensino de tópicos liberais em sala de aula. “Desde que Xi Jinping chegou ao poder (como presidente do partido) ele tentou controlar tudo, recorrendo, desse modo, às lições de Mao Tsé-Tung”, afirmou Xia. “Trata-se de um grande retrocesso”.

Fontes:
The Economist-Don’t think, just teach

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1 Opinião

  1. Regina Caldas disse:

    Esta repressão por parte do governo chines não deixa de ser absurdamente contraditória. Pois não são as universidades chinesas as maiores responsáveis pela liberdade de pensamento de seus estudantes. Quando o próprio governo envia milhares de estudantes para cursos acadêmicos nas melhores universidades do planeta, é ele mesmo que está criando e desenvolvendo esta liberdade de pensamento que agora condena. Ou será que eles acreditam que seus estudantes apenas se dedicam aos estudos no exterior, tapando olhos, ouvidos e bocas ao que veem, ouvem e dialogam num ambiente essencialmente habitado por inteligencias de todos os cantos do mundo. Retornam à China com a mente arejada por milhares de ideias permeadas pela liberdade de pensamento. É uma onda que chega à China que devasta qualquer retorno à antiga repressão comunista.

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