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Eutanásia

O direito de morrer com dignidade

Os médicos deveriam ter permissão para ajudar pessoas em extremo sofrimento e com doenças terminais a morrerem de acordo com sua escolha

O direito de morrer com dignidade
A ideia da morte assistida tem conquistado um apoio crescente (Ilustração: Pixabay)

É fácil esquecer que o adultério era considerado um crime na Espanha até 1978; ou que nos Estados Unidos, as últimas leis antissodomia foram abolidas só em 2003. No entanto, embora a maioria dos países ocidentais não imponha mais regras de como pessoas adultas devem fazer sexo, o Estado ainda intervém em suas escolhas em relação à morte. Um número crescente de pessoas, assim como a revista The Economist defende o direito de livre-arbítrio diante da perspectiva da morte.

A discussão refere-se ao direito de morrer com a ajuda de um médico nas circunstâncias escolhidas pelos pacientes. Até agora apenas alguns países europeus, a Colômbia e cinco estados dos EUA permitem certa forma de morte assistida por um médico. Mas projetos de lei, iniciativas eleitorais e processos judiciais estão sendo discutidos em mais de 20 estados americanos e em diversos países. No Canadá a Suprema Corte aboliu há pouco tempo a proibição da ajuda do médico a pacientes que tivessem feito a escolha da morte assistida; mas sua decisão só entrará em vigor em 2016. Nos próximos meses alguns projetos de lei serão apresentados nos parlamentos do Reino Unido e da Alemanha.

A ideia da morte assistida causa uma profunda consternação entre seus críticos. Na opinião de algumas pessoas, a questão é moral e está acima de qualquer discussão. A vida humana não pode ser interrompida de uma maneira intencional, porque ela é sagrada e a resistência ao sofrimento confere dignidade ao ser humano. Para outros, a legalização da morte assistida é o primeiro passo em um caminho escorregadio, no qual as pessoas vulneráveis ficarão ameaçadas e as mortes prematuras serão uma alternativa trivial em casos de cuidados paliativos.

Essas opiniões têm uma base sólida e precisam ser analisadas com seriedade. Porém a liberdade e a autonomia também são fontes de dignidade humana. Ambas acrescentam valor à vida. Em uma sociedade laica, causa surpresa o fato de pensar na santidade da vida de uma forma abstrata, enquanto algumas pessoas sofrem dores insuportáveis e um sofrimento terrível. Os relatos de lugares onde é permitido a morte assistida sugerem que não existe um caminho escorregadio em direção à eutanásia disseminada. Na verdade, as evidências levam à conclusão que a maioria dos métodos de morte assistida deveria ser mais ousada.

A ideia da morte assistida tem conquistado um apoio crescenteA pedido da revista The Economist, o instituto Ipsos MORI realizou uma pesquisa em 15 países, na qual as pessoas expressaram suas opiniões se os médicos poderiam ajudar os pacientes a morrer e, em caso afirmativo, em que circunstâncias. A Rússia e a Polônia se opõem à ideia, mas nos EUA e nos países da Europa ocidental a maioria dos entrevistados disse que os médicos deveriam ter autorização de receitarem medicamentos letais para pacientes com doenças terminais. Em 11 dos 15 países pesquisados, a maioria das pessoas era favorável em estender a permissão da morte assistida a pacientes com um sofrimento extremo, porém não à beira da morte.

Fontes:
The Economist - The right to die

3 Opiniões

  1. ney disse:

    Médicos atuais não tem esse direito.

  2. rene luiz hirschmann disse:

    Sem querer parecer simplista, deve ser de livre arbítrio querer continuar vivendo ou não.

  3. Roberto Henry Ebelt disse:

    A última frase precisa ser corrigida:
    In 11 out of the 15 countries we surveyed, most people favoured extending doctor-assisted dying to patients who are in great physical suffering but not close to death.
    Em 11 dos 15 países pesquisados, a maioria das pessoas era favorável a prover uma morte assistida por médicos a pacientes que estivessem passando por grande sofrimento físico mas que não estivessem próximas ao desenlace.
    Atenciosamente
    Roberto

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