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O dote americano

O gás de xisto está dando um grande impulso à economia americana

O dote americano
Estima-se que jazidas de xisto produzirão cerca de um terço das importações atuais de petróleo dos Estados Unidos (eyevine)

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A Pensilvânia, o local dos primeiros poços de petróleo nos idos de 1850, sedia hoje o segundo maior campo de extração de gás, atrás apenas do campo de Pars do Sul, na fronteira entre Qatar e Irã. Na virada do milênio, os campos de gás convencionais dos EUA estavam em declínio. O país se preparava para se tornar um importador significante: cerca de US$ 100 bilhões foram investidos em terminais de importação de gás natural liquefeito (GNL) que agora podem ficar ociosos. O gás de xisto era conhecido pelos geólogos, mas sua extração nunca havia valido a pena. Até 2000, uma quantidade baixíssima deste gás estava sendo extraído do solo.

Agora o gás de xisto contribui com um terço da oferta de gás americana. Em 2035, pode ser que o país seja responsável pela metade da oferta mundial de gás de xisto (que até então poderá ter subido para US$ 820 bilhões de metros cúbicos por ano). Contribuíram para o aumento uma variedade de fatores, tais como a liberação do acesso a gasodutos existentes a terceiros que teve início nos anos 70, um profundo e líquido mercado de gás que permitiu que os riscos da exploração contassem com os seguros adequados, acesso fácil a capital, o setor doméstico americano de petróleo e a energia empreendedora que forneceu a mão de obra e o equipamento. Mas a maior diferença pode ser resumida aos esforços de um homem: George Mitchell, presidente de uma empresa de serviços de petróleo, que percebeu o potencial de aprimorar uma tecnologia conhecida, o fraturamento, para alcançar o gás. Grandes empresas de petróleo e gás tinham interesse em gás de xisto, mas não conseguiam dar o pulo do gato no avanço da tecnologia de fraturamento para tornar a extração viável. Mitchell dedicou 10 anos e US$ 6 milhões para resolver o problema (certamente o dinheiro de pesquisa mais bem gasto na história do setor de gás). Todos diziam que ele estava desperdiçando tempo e dinheiro.

A tecnologia está sendo usada em Marcellus, Haynesville, Barnett, Utica e outras jazidas de xisto, com efeitos surpreendentes, além de estar sendo usada em algumas jazidas de xisto para a extração de óleo de xisto. Alguns reservatórios também produzem líquidos de gás natural valiosos, tal como butano e propano. Partes oleosas da pedreira Eagle Ford estão gerando grandes quantidades da matéria prima preta. A Dakota do Norte, um estado que não tem muito do que se gabar, contribui hoje com cerca de meio milhão de barris de petróleo por dia. Considera-se que em alguns anos as jazidas de gás de xisto possam produzir 3 milhões de barris por dia, cerca de um terço das importações atuais de petróleo dos EUA.

Nem todos sairão ganhando. Alguns mineradores de carvão, por exemplo, terão que encontrar um trabalho novo. Contudo, Obama afirma que o fraturamento pode estar relacionado a 600.000 empregos ao final da década.

Fontes:
The Economist - Gas works

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1 Opinião

  1. Rudy Lang disse:

    Mas como é que não informaram o Lulla a respeito disso em 2007?
    Em vez de nos enganar com a notícia fria do petróleo da camada sub-sal, ele poderia ter nos enrolado com o “fracking” do “shale”. Esse camarada estava extremamente mal informado.

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