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O Egito está usando tortura sexual contra as mulheres?

Um novo relatório afirma que mulheres estão sendo brutalizadas pela polícia, pelos militares e pelas forças de segurança num nível sem precedentes

O Egito está usando tortura sexual contra as mulheres?
O levantamento demográfico e de saúde nacional lançado no início deste mês, por exemplo, descobriu que mais de 30% de mulheres no Egito com menos de 50 anos já sofreram algum tipo de violência conjugal, mas menos de 5% procuraram ajuda fora da família (Foto: Wikipedia)

Há quatro anos, as palavras “liberdade”, “justiça” e “dignidade” foram grafitadas em toda a cidade do Cairo, com a esperança em larga escala nas ruas da Praça Tahrir. O que resta atualmente é uma colcha de retalhos de pintura que encobre qualquer indício de protesto político. De acordo com um relatório publicado na última segunda-feira, 18, a violência sexual sancionada pelo Estado contra as mulheres do Egito aumentou dramaticamente desde que os militares voltaram ao poder em julho de 2013.

No documento, a Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH ) revelou uma vasta gama de tortura sexuais cometidas pela polícia egípcia, pelos militares e pelas forças de segurança do Estado. Entrevistas com dezenas de vítimas individuais e ONGs no Egito falam de abuso sexual nas mãos de funcionários, que vão desde o assédio e estupro até eletrocussão genital. E não são apenas as mulheres que são as vítimas – membros da Irmandade Muçulmana, agora banido e outros dissidentes políticos são alvos, bem como presos, estudantes e até crianças em detenção juvenil.

Não há nada de novo na violência sexual sendo usada por regimes autoritários no Egito e no mundo árabe. A tortura sexual tem sido o instrumento de escolha para humilhação ao longo dos tempos. Por causa dos tabus em torno do sexo na região e sua associação poderosa com a vergonha, a violência sexual é um instrumento de controle. As mulheres são particularmente vulneráveis, pois a sua exploração além de desonrar-las, desonram também suas famílias; maridos, pais e irmãos são muitas vezes considerados ainda os guardiões da honra feminina.

O relatório do FIDH considera que o atual governo aumentou este tipo de violência, como parte de uma estratégia de consolidar o poder e reprimir a oposição. O documento descreve o abuso sexual patrocinado pelo Estado, de campus universitários até centros de detenção secretos em bases militares. O FIDH admitiu que teve problemas ao verificar muitos dos depoimentos, bem como estabelecer a culpabilidade dos acusados. A sensibilidade de falar publicamente sobre sexo é tão grande que as mulheres tendem a ficar em silêncio sobre os ataques, muitas vezes por causa da reputação da família, tanto no caso da violência doméstica, quanto no da violência patrocinada pelo Estado. O levantamento demográfico e de saúde nacional lançado no início deste mês, por exemplo, descobriu que mais de 30% de mulheres no Egito com menos de 50 anos já sofreram algum tipo de violência conjugal, mas menos de 5% procuraram ajuda fora da família.

Para quem está no poder, a tortura sexual é uma arma fácil para brutalizar as suas vítimas; vídeos de estupro, por exemplo, feitas por agentes em seus telefones celulares, são uma marca especialmente potente de chantagem sexual. A simples ameaça é muitas vezes suficiente para dissuadir as vítimas de procurarem a reparação em um sistema jurídico que não é exatamente simpático às suas reivindicações.

 

Fontes:
The Guardian-Is the Egyptian state using sexual torture against women?

1 Opinião

  1. olbe disse:

    Como pode? Ha bem poucos anos a gente podia ir ao Egito e desfrutar deste país cheio de histórias e belezas..E agora, moralmente destruído..e o mundo nada pode fazer diante desta regressão…

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