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ELEIÇÕES MEXICANAS

O embate entre a direita e a esquerda no México

A eleição presidencial de 2018 representa um grande desafio à estabilidade econômica e política do México

O embate entre a direita e a esquerda no México
Andrés Manuel López Obrador lidera as pesquisas de intenção de votos (Foto: Flickr)

A prática do dedazo no México, na qual o presidente escolhia seu sucessor, que, inevitavelmente, era eleito para um mandato de seis anos, foi uma constante durante o governo autocrático do Partido Revolucionário Institucional (PRI). O partido perdeu as eleições em 2000, mas o hábito do dedazo retornou em 27 de novembro deste ano, quando o presidente Enrique Peña Nieto, escolheu José Antonio Meade, secretário de Fazenda e Crédito Público, como candidato do PRI à eleição presidencial a ser realizada em julho. Porém desta vez, o dedazo pertence aos eleitores.

O próximo presidente do México terá uma tarefa difícil à sua frente, com um índice crescente de criminalidade, uma corrupção que causa revolta na população, uma economia fraca e Donald Trump, que ameaça eliminar ou renegociar o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta) entre o México, os Estados Unidos e o Canadá.

Meade não tem garantias de vitória. Andrés Manuel López Obrador, um populista de esquerda que concorreu duas vezes às eleições presidenciais, lidera as pesquisas de intenção de votos. Se mantiver essa liderança, ele vencerá as eleições. Um terceiro candidato Ricardo Anaya, líder do Partido de Ação Nacional (PAN), deverá ter sua candidatura confirmada em dezembro.

O apoio de Peña à candidatura de Meade pode prejudicar suas chances de sucesso. O índice de popularidade do presidente é de apenas 26%, embora seja mais do dobro do início deste ano. Segundo os eleitores, ele não combateu o crime e a corrupção como deveria e, depois de um escândalo de conflito de interesses, os mexicanos duvidam de sua honestidade. Cinco dos seis eleitores dizem que os líderes corruptos são um “grave problema” para o país. Em outubro, 2.371 pessoas foram assassinadas no México, o maior número registrado em um único mês.

O crescimento econômico diminuiu no terceiro trimestre deste ano, após os terremotos que mataram mais de 450 pessoas em setembro. Um colapso do Nafta causaria ainda mais danos à economia. Apenas um em cada oito mexicanos acha que o país está no caminho certo e quase metade diz que nunca votaria no PRI.

Ao escolher Meade, Peña quis indicar alguém com pouca experiência política, mas com uma bagagem intelectual importante. Economista com doutorado na Universidade de Yale, ele ocupou cargos em diversos governos, entre os quais o de secretário de Energia e Fazenda na presidência de Felipe Calderón, que governou o país de 2006 a 2012. De acordo com uma pesquisa realizada pela GCE, 23% dos eleitores apoiaram sua candidatura, o equivalente a seis pontos percentuais atrás de López Obrador.

É um começo promissor, mas a disputa não será fácil. López Obrador, que os opositores retratam como uma versão mexicana do presidente Nicolás Maduro da Venezuela, conta com o apoio dos mexicanos pobres, que ganham menos de US$79 por mês nas cidades e US$56 nas regiões rurais. O hábito de Trump de insultar o México ajuda a aumentar a popularidade de López Obrador, com seu discurso nacionalista veemente.

Em 22 de novembro, seu partido, Morena, publicou um manifesto de 415 páginas com suas propostas de governo, como mais investimentos em infraestrutura e em programas sociais, sem aumento de impostos para custear os gastos. Ainda no contexto populista, sua equipe de campanha produziu um filme biográfico chamado “Este sou Eu“, no qual ele visita sua cidade natal em Tabasco e conta a história de sua vida ao som suave de um piano.

Segundo partidários de Ricardo Anaya, o candidato do PAN tem mais chances de derrotar López Obrador do que Meade. “Meade é um tecnocrata competente, porém não é um político”, disse um assessor de Anaya.

Mas Margarita Zavala, esposa de Felipe Calderón, que saiu do PAN em outubro para concorrer à presidência por um partido independente, pode retirar sua candidatura e apoiar Meade. Se isso acontecer, a disputa será entre Meade, um membro da elite social, econômica e política do país, e López Obrador, um feroz opositor a esse sistema.

Fontes:
The Economist - José Antonio Meade is the PRI’s candidate for Mexico’s presidency

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