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TRUMP NA CASA BRANCA

O erro das pesquisas de opinião nas eleições americanas

Como uma margem de erro relativamente pequena ocasionou previsões tão distantes do resultado das eleições para a Casa Branca em 2016

O erro das pesquisas de opinião nas eleições americanas
É possível que os eleitores “envergonhados” de Trump não tenham revelado seu apoio nas pesquisas (Foto: Flickr)

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É natural que aconteçam erros nas pesquisas, mas este ano a margem de erro não foi grande, pelo menos nas pesquisas no âmbito nacional americano. Hillary Clinton deveria conquistar o voto popular por pouco mais de 1%, assim que todas as cédulas tivessem sido contadas, dois pontos abaixo de sua projeção. Essa foi uma previsão melhor do que em 2012, quando Barack Obama fez mais três pontos do que o previsto. Mas os Estados Unidos não elegem o presidente pelo voto popular e três dos desempenhos decisivos de Donald Trump ocorreram ao redor dos Grandes Lagos.

Hillary fez mais cinco pontos do que o previsto nas pesquisas em Wisconsin, e quatro em Michigan e na Pensilvânia; Trump superou todas as pesquisas, embora por uma pequena margem. Mas em Ohio, onde a previsão era de dois pontos, o resultado foi de 8,5%, e em Iowa, a vantagem de três pontos transformou-se em um incrível 9,5%.

Enquanto os pesquisadores avaliaram corretamente o sentimento da maioria do eleitorado, eles subestimaram a atração exercida por Trump nos brancos da classe operária. Apesar do favoritismo evidente nesse segmento do eleitorado, ele superou até mesmo as suas expectativas mais otimistas. Com uma previsão de 30 pontos, ele obteve 39 pontos na pesquisa de boca de urna, uma margem maior do que a de Hillary entre os hispânicos. A proporção de brancos no eleitorado de um estado sem diploma universitário foi um fator quase perfeito de previsão do desempenho de Trump em relação às pesquisas.

É possível que os eleitores “envergonhados” de Trump não tenham revelado seu apoio nas pesquisas. No entanto, não houve sinais desse padrão durante as primárias do Partido Republicano, quando Trump em geral não superou as pesquisas. E em razão do apoio dos brancos da classe operária à sua candidatura, é difícil imaginar que os amigos e vizinhos dessas pessoas tivessem vergonha de admitir que iriam votar nele. Uma causa mais provável é a falta de resposta devido à relutância dos brancos da classe operária que apoiavam Trump de atender o telefone.

É possível também que alguns eleitores tenham decidido votar no candidato republicano depois que as últimas pesquisas foram concluídas. Por fim, a insistência evidente de Trump em conquistar o apoio desse grupo demográfico, que historicamente não se sente motivado a votar, tenha estimulado a presença desse eleitorado nas urnas. E essa motivação é um sentimento subjetivo difícil de detectar nas pesquisas.

Qualquer que tenha sido a causa, essa margem de erro era razoável, uma vez que se amplia quando se trata de subgrupos demográficos. Mas como um erro relativamente pequeno induziu os pesquisadores a preverem um resultado tão oposto? Para modelos baseados em pesquisas realizadas em estados, a questão crucial era como um erro em um estado podia antecipar outro na mesma direção e onde. Os seis pontos obtidos por Trump em Wisconsin tiveram pouca influência em seu desempenho no Colorado, mas prejudicaram Hillary nos estados próximos de Michigan, Ohio e Pensilvânia. Os modelos que usaram correlações mais fracas ou menos precisas entre os estados fizeram previsões mais otimistas para Hillary e erraram.

Os que ignoraram as pesquisas e os candidatos, e basearam suas previsões apenas em fatores estruturais como desempenho econômico e o cargo ou função tiveram mais êxito. Essa abordagem sugeriu que a competição entre os dois candidatos seria extremamente dura. No entanto, como não era um modelo de pesquisa sofisticado e pelo fato de a campanha de Trump ser tão pouco usual esas previsões foram em grande parte ignoradas.

Fontes:
The Economist-Epic fail

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