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E-mailgate

O ‘escândalo’ que pode tirar Hillary da corrida presidencial

O uso de uma conta de e-mail pessoal para mensagens de trabalho está atrapalhando as ambições políticas da democrata Hillary Clinton

Geralmente, a localização de um velho servidor de e-mail não vira manchete. Mas adversários e simpatizantes da pré-candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton, prestaram muita atenção quando sua campanha anunciou, em 11 de agosto, que iria entregar ao Departamento de Justiça o servidor que hospedava sua conta de e-mail pessoal durante seus quatro anos como secretária de Estado. O advogado de Hillary também disse que daria aos investigadores um cartão de memória contendo cópias dos e-mails de trabalho da democrata, entregues ao Departamento de Estado em dezembro passado.

Em teoria, as autoridades federais estão apenas se certificando de que as normas de segurança foram cumpridas durante o tempo em que Hillary atuou como a principal diplomata americana e dispensou uma conta de e-mail do governo, optando por encaminhar todos os seus e-mails de trabalho e pessoais através de uma conta privada. Hillary diz que ela usou este sistema para que não precisasse levar muitos dispositivos eletrônicos em suas viagens. Cerca de 60 mil mensagens cruzaram o servidor durante seu tempo no governo, cerca de metade das quais ela excluiu mais tarde por considerá-las pessoais. As outras 30 mil estão agora sendo revisadas pelo Departamento de Estado à frente de uma eventual liberação para o público.

Quanto ao fatídico servidor, Hillary passou meses resistindo aos pedidos para entregá-lo, dizendo em março que ele continha comunicações pessoais entre ela e seu marido. Seu advogado disse a um comitê de supervisão do Congresso que o servidor já não têm quaisquer e-mails enviados a partir do endereço que ela usava como secretária de Estado, hdr22@clintonemail.com. Em julho, usando uma linguagem cuidadosa, característica da família Clinton, Hillary acrescentou que ela está confiante de que ela nunca enviou ou recebeu qualquer informação considerada confidencial no momento do envio ou recebimento.

Um peso na campanha

Na prática, até mesmo uma investigação técnica como esta é prejudicial à campanha de Hillary, porque ela lembra aos eleitores todas as outras investigações das quais ela e seu marido foram alvo. Em 11 de agosto o inspetor-geral do setor de inteligência, um cão de guarda oficial, disse ao Congresso que uma amostra de 40 e-mails da conta de Hillary revelou dois contendo informações ultrassecretas. O Departamento de Estado acusa seus funcionários de compartilhar arquivos confidenciais em servidores não classificados e encaminhar alguns para Hillary Clinton.

Embora não haja evidências ligando a ex-secretária de Estado a qualquer irregularidade, o governador do Wisconsin, Scott Walker, pré-candidato republicano à presidência, declarou que a abordagem de sua rival para assuntos de segurança mostra que ela não é confiável para ser comandante-em-chefe.

Um número crescente de americanos disse nos últimos meses que não confia em Hillary Clinton. Em mais um golpe esta semana, um levantamento pela primeira vez colocou a candidata atrás de seu único rival democrata para a nomeação presidencial do partido, o senador Bernie Sanders, de Vermont, um esquerdista incendiário. A sondagem do jornal Boston Herald foi realizada em um único estado, New Hampshire, onde Sanders é uma espécie de herói local. Sua conclusão mais arrepiante para Hillary Clinton não tem a ver com confiança, mas com entusiasmo: apenas 35% dos prováveis eleitores das primárias se disseram “animados” com sua campanha. Hillary continua sendo a favorita à nomeação de seu partido, mas ela terá um árduo caminho pela frente.

Fontes:
The Economist - Hillary and her emails

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