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O esporte superou a educação como o foco de muitas universidades nos EUA

Em seu novo livro, o jornalista Gilbert Gaul analisa o fenômeno esportivo que move milhões de dólares todos os anos

O esporte superou a educação como o foco de muitas universidades nos EUA
A indústria de entretenimento esportivo é incompatível com a essência do objetivo das universidades (Foto: Wikipedia)

O futebol tem sido a atividade básica na cultura esportiva dos Estados Unidos por mais de um século e inspira um fervor quase religioso nos estados do sudeste do país. Nos últimos anos, os críticos acusaram as universidades americanas, que ganham US$10 bilhões por ano com atividades esportivas, de explorar uma mão de obra não remunerada. Além disso, vários jogadores entraram com ações judiciais exigindo uma participação nos lucros. Porém em Billion Dollar Ball: A Journey Through the Big-Money of College Football o jornalista Gilbert Gaul ataca um ponto mais nevrálgico: essa indústria de entretenimento esportivo é incompatível com a essência do objetivo das universidades.

O autor descreve os estádios gigantescos, as instalações luxuosas para a prática do esporte e o patrocínio corporativo onipresente, como nas latas de lixo da Universidade de Oregon que ostentam a logomarca da Nike. Gaul lamenta os privilégios tributários concedidos por políticos em despesas com futebol: os aumentos nos preços dos ingressos são classificados como “doações de assentos”, das quais 80% podem ser usadas para diminuir o lucro tributável do “benfeitor”.

Ele cita com ironia os milhões de dólares gastos com paraquedas dourados para proteger os treinadores incompetentes. Examina também a extensão da infraestrutura necessária para apoiar a atividade do futebol nas universidades, como os “acompanhantes” que seguem os jogadores até a sala de aula para garantir que irão assistir às aulas. E o número excessivo de equipes femininas de remo nas universidades, que continuam a crescer em cumprimento às leis e regulamentos federais no que se refere à igualdade de gênero no esporte.

O livro faz poucos comentários a respeito dos danos que esse jogo brutal provoca nos cérebros dos jovens jogadores, que os cientistas associaram a casos de demência e morte prematura. Além disso, o autor minimiza as críticas às práticas trabalhistas injustas nos esportes das universidades, ao escrever que “os argumentos referentes à má remuneração dos [jogadores] só fariam sentido se houvesse consenso que o modelo financeiro do futebol praticado nas universidades não fosse errado ou absurdo”. Gaul menciona ainda os “brindes”, como óculos de sol e iPads, que alguns jogadores ganham como uma prova de que “talvez não sejam vítimas”.  Mas em um esporte no qual os treinadores podem ganhar US$6,5 milhões por ano, será que Gilbert Gaul de fato acredita que os atletas se contentam com presentes de videogames?

Fontes:
The Economist - Punishingly profitable

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