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Doutrina Islâmica

O Estado Islâmico e seu falso califa

Acadêmicos rebatem alegação de que jihadistas fundaram um novo califado islâmico

O Estado Islâmico e seu falso califa
Uma das poucas imagens de Abu Bakr al-Baghdadi, o suposto califa do Estado Islâmico, que circulam na internet (Reprodução/Internet)

Quando o Estado Islâmico declarou em 29 de junho que seu líder era o novo califa, ninguém ficou mais perplexo do que seu suposto rebanho de 1,6 bilhão de muçulmanos espalhados pelo mundo. Todos, exceto os jihadistas mais ávidos, rejeitam a ideia.

Recentemente, 126 ilustres estudiosos e clérigos muçulmanos escreveram uma longa carta com 24 pontos refutando a alegação. Suas ideias foram cuidadosamente tecidas com base na jurisprudência islâmica: um califa só pode ser escolhido por consenso geral; qualquer outra coisa seria fitna, árabe para discórdia ou sedição.

O anseio muçulmano pelo califado e seu valor como propaganda para o Estado Islâmico são compreensíveis. Livros escolares pintam o reinado dos quatro primeiros califas, ou sucessores de Maomé, como uma idade de ouro. Árabes melancolicamente recordam a glória dos califados do século 8 em Damasco e do século 9 em Bagdá. O islamismo moderno, com seu lema de queixas contra o Ocidente, há muito lamenta a queda do último califa titular, em 1924, como uma ferida profunda para a fé. Mesmo os signatários mais céticos da carta admitem que o estabelecimento do califado é “uma obrigação para a ummah” (nação muçulmana).

Mas, mesmo nos tempos mais antigos, os confrontos entre diferentes linhas de descendência do profeta muitas vezes colocaram em dúvida a legitimidade de califas. Alguns insistiam que o título não devia ser herdado. Ao invés disso, como aconteceu com sucessores imediatos de Maomé, os califas deveriam ser escolhidos entre os mais qualificados. Essa disputa deu origem à divisão entre sunitas e xiitas.

Os defensores do suposto califa do Estado Islâmico, que se chama Abu Bakr al-Baghdadi, dizem que ele é um homem de fé e um comandante experiente, bem como um descendente direto do profeta Maomé. Eles dizem que ele estabeleceu um Estado, impôs a sharia (lei islâmica) e expulsou os muçulmanos infiéis, que agora devem se arrepender por terem abandonado o califado e jurar lealdade.

Talvez sim, mas o Alcorão é mais ambivalente. Quando Deus diz aos anjos que ele vai colocar um califa na terra, eles perguntam se ele vai fazer o mal e derramar sangue. Deus responde: “Com certeza eu sei o que vocês não conhecem.”

 

Fontes:
The Economist - A cause of strife

2 Opiniões

  1. Mauricio Fernandez disse:

    Esse desrespeito religioso só poderia partir de você não é Endebo? Aqueles que exorbitam estão em todas as classes e agremiações religiosas. Ou esquecemos os quinhentos anos da ‘inquisição’?

  2. jayme endebo disse:

    O Islamismo é uma doença crônica, isso não pode ser religião.

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