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CARROS ELÉTRICOS

O fim do motor de combustão interna

A viagem foi boa, mas o fim da estrada se aproxima para a máquina que mudou o mundo no século XX

O fim do motor de combustão interna
Motor de combustão deu origem a um setor que moldou a vida moderna (Foto: Flickr/wuestenigel)

Em dezembro de 1893, o jornal francês Le Petit publicou um editorial lamentando o fato de “a criatividade humana ainda não ter encontrado um processo mecânico capaz de substituir os cavalos como propulsores de veículos”. Diante disso, em julho do ano seguinte, o jornal organizou uma corrida de Paris a Ruão na qual só poderiam concorrer carruagens que não dependiam de cavalos para se mover.

Entre as 102 candidatas, estavam carruagens movidas a vapor, petróleo, eletricidade, ar comprimido e motor hidráulico. Somente 21 foram qualificadas para a competição, que percorreu 126 km e atraiu multidões. A vencedora, claro, foi uma carruagem movida a combustão interna. Ao longo do século seguinte, este tipo de motor deu origem a uma poderosa indústria que mudou o mundo. Porém, seus dias estão contados.

Rápidos aprimoramentos na tecnologia das baterias dos veículos favoreceram a ascensão dos carros elétricos. Naquele julho de 1894, nenhuma carruagem movida a motor elétrico ultrapassou a linha de chegada, pois a bateria precisava ser substituída a cada 30 km. Hoje, as baterias de íon de lítio têm um desempenho bem melhor. O Chevrolet Bolt, por exemplo, consegue percorrer 383 km. O Tesla Model S conseguiu superar a marca de 1.000 quilômetros com apenas uma recarga.

No mês passado, o Reino Unido se juntou a longa lista de países que estão investindo em carros elétricos, afirmando que vai zerar as emissões de carbono geradas por automóveis até 2050. É provável que a transição do motor de combustão interna para os motores elétricos seja concluída muito antes disso. E as consequências são promissoras.

Para entender tal otimismo, basta pensar em como os motores de combustão interna moldaram a vida moderna. O setor automobilístico teve papel crucial no desenvolvimento econômico e na expansão da classe média ocidental no pós-guerra.

Com a combinação de motor elétrico e o avanço na tecnologia dos carros sem motorista, o mundo se prepara para ver o carro deixar de ser um bem adquirido, para se tornar um serviço de transporte público, disponibilizado sob demanda. Tal fato pode trazer mudanças profundas e inesperadas para o mundo no século XXI, assim como a combustão interna trouxe no século XX.

Fontes:
The Economist-The death of the internal combustion engine

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1 Opinião

  1. laercio disse:

    Lamentável que o Brasil não seja detentor de nenhuma dessas tecnologias para o século XXI, continuaremos sendo grande mercado consumidor e fornecedor de material prima.
    A automação substituirá muitas coisas e teremos um grande número de jovens partido para o vício, crime, prostituição.
    Vamos amargar muitas desgraças por conta de falta de controle natalidade…

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