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Escândalo na FIFA

O futuro incerto do futebol mundial

Em meio a uma ampla investigação de corrupção, a FIFA não está em posição de dizer se terá moral ou força para sediar as próximas Copas do Mundo

O futuro incerto do futebol mundial
Grafite em São Paulo criticando os gastos coma Copa de 2014 (Foto: Wikipédia)

Nesta quarta-feira, 27, poucas horas após as prisões dramáticas de sete dirigentes da FIFA em um resort cinco estrelas em Zurique, onde os cartolas participavam de uma reunião anual, a procuradora-geral dos EUA, Loretta E. Lynch, descreveu a corrupção dentro a FIFA como algo “galopante, sistêmica e profundamente enraizada”.

Mais do que qualquer outra organização desportiva, a FIFA tornou-se um símbolo mundial da corrupção generalizada, servindo de pano de fundo para décadas de suborno, lavagem de dinheiro e fraude. Embora as primeiras acusações do Departamento de Justiça americano, que vieram a público nesta quarta-feira, envolvam a distribuição de direitos de marketing para torneios da FIFA, autoridades federais americanas deram a entender que os crimes podem ter conexão também com os processos de licitação das Copas do Mundo de 2018 e 2022.

Os indiciamentos de quarta-feira pouparam o presidente da FIFA, Joseph Blatter, que deve ser reeleito para um quinto mandato nesta sexta-feira, 29. Um porta-voz da FIFA declarou que Blatter não tem envolvimento com qualquer um dos supostos atos de corrupção e que a organização apoia a investigação. Qualquer pessoa familiarizada com a reputação da FIFA, no entanto, vai encarar essas declarações com ceticismo.

As próximas duas Copas do Mundo – 2018 na Rússia e 2022 no Catar – foram concedidas em meio a acusações generalizadas de corrupção e compra de votos. Um porta-voz da FIFA disse que os eventos vão continuar como planejado. Mas, diante de uma investigação criminal ocorrendo em dois continentes  (além dos EUA, autoridades suíças anunciaram a sua própria investigação), não está claro se a FIFA está em posição de declarar com qualquer autoridade o que vai acontecer esta semana, muito menos em 2018 e 2022.

Mas, se os subornos foram pagos por executivos de marketing ricos a autoridades do futebol ricas, quem foram as vítimas, afinal? Uma resposta óbvia é o contribuinte. Pelo menos um ex-dirigente da FIFA que se declarou culpado e colaborou com o presente inquérito admitiu a sonegação de impostos durante anos. Mais acusações de evasão fiscal devem surgir.

Além disso, muitas organizações de futebol juvenil em países em desenvolvimento dependem de subsídios da FIFA, como disse um procurador americano nesta quarta-feira, de modo que o dinheiro desviado para os bolsos dos executivos da FIFA é dinheiro não gasto com o futebol em nações mais pobres.

 

Fontes:
Washington Post - FIFA indictments: Questions and answers

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