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O impacto do desemprego na saúde

Cerca de 7 milhões de homens desempregados nos EUA sofrem de dores crônicas, que, segundo especialistas, estão ligadas à falta de perspectiva

O impacto do desemprego na saúde
Pessoas sem perspectiva de emprego estão mais sujeitas a ter depressão (Foto: Flickr/ChrisHConnelly)

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Um estudo publicado nos Estados Unidos analisou o impacto que a falta de perspectiva gerada pelo desemprego no país tem na saúde da população. O estudo teve como foco a população masculina americana que cresceu ou estava no auge da idade produtiva quando ocorreu a recessão global de 2007.

Feito por Alan Krueger, economista da Universidade de Princeton, o estudo foi iniciado em 2010 e concluído este ano.

As pesquisas concluíram que 11,4% dos homens americanos entre 25 e 54 anos, (cerca de 7 milhões de homens), atualmente, não está trabalhando nem procurando emprego. Deste total, quase a metade necessita de doses diárias de analgésicos ou está debilitado de alguma forma.

Eles afirmaram sentir dores que impedem que eles assumam funções nas quais são qualificados. Mais de um terço dos entrevistados afirmaram ter dificuldade para caminhar ou subir escadas. Além disso, 44% afirmaram tomar analgésicos diariamente, sendo que um terço desse percentual também faz uso de medicamentos controlados.

Em contraponto, apenas 20% dos homens que estão no mercado de trabalho e 19% que não estão, mas estão em busca de emprego afirmaram fazer uso de analgésicos regularmente.

A conexão entre dores crônicas e desemprego é difícil de ser avaliada. No estudo, Krueger diz não saber afirmar que fator ocorre primeiro: os problemas de saúde dos homens americanos ou sua ausência no mercado de trabalho. Porém, muitos especialistas afirmam que dores como as relatadas pelos entrevistados são geradas pela falta de trabalho, pois pessoas sem perspectiva de emprego estão mais sujeitas a ter depressão, se tornar alcoólatra, viciado em drogas ou desenvolver algum transtorno mental. Como consequência, deixam de procurar emprego.

E o quadro pode piorar com o passar do tempo. Isso porque, segundo um relatório recente do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC), tomar analgésicos regularmente aumenta o risco de desenvolver dependência dessas substâncias, criando assim um círculo vicioso.

Embora não seja possível generalizar, o estudo deixa claro que mudanças no mercado de trabalho têm efeitos significantes na saúde da população ativa. O aumento da automação e de empregos cujos postos de trabalho são no exterior afetou em especial homens que não têm nível superior.

São necessárias mais pesquisas sobre o assunto, mas um editorial do New York Times sobre o tema aponta algumas medidas que podem ser tomadas em benefício dos trabalhadores afetados. Entre elas está a alocação de recursos para tratamento e prevenção do vício em analgésicos, além de iniciativas federais e estaduais em regiões onde o desemprego é mais alto e ocorre há mais tempo, como nos estados do sul e sudoeste e meio-oeste americano.

Fontes:
The New York Times-Millions of Men Are Missing From the Job Market

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