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Devastação no Sul Asiático

O impacto do tufão Haiyan na agricultura das Filipinas

A perda de boa parte das safras de arroz e açúcar deve forçar o aumento de importações e empurrar para cima os preços globais

O impacto do tufão Haiyan na agricultura das Filipinas
Sobreviventes caminham sobre os destroços deixados pelo tufão Haiyan (Reprodução/AFP)

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As Filipinas são o maior consumidor per capita de arroz do mundo, mas o país caminhava a passos largos rumo à autossuficiência antes da passagem do tufão Haiyan, que devastou o país no último dia 8, matando até dez mil pessoas, pelos cálculos oficiais. Nos últimos cinco anos consecutivos importações de arroz tiveram queda, desde que atingiram um pico de 2,6 milhões de toneladas em 2008. Antes do tufão, estimativas sobre importações para 2013/2014 pairavam em torno de 1,5 milhões de toneladas. Agora elas certamente irão aumentar, empurrando para cima os preços globais também.

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O governo das Filipinas estimou o prejuízo do Haiyan para a agricultura em 3,7 bilhões de pesos (aproximadamente US$ 84 milhões). Um total de 131,611 toneladas de arroz foram perdidas, o equivalente a uma redução de 1,8% da produção do quarto trimestre, de acordo com um relatório do Departamento de Agricultura. Entre 50 mil e 120 mil toneladas de açúcar podem ter sido perdidas também, o que corresponde a 3,5% da produção nacional, de acordo com o HSBC Global Research, uma consultoria. Além disso, 71 mil hectares de terra arável foram afetados e aproximadamente 4 mil toneladas de milho destruídas.

O provável aumento das importações para o país sul-asiático deve oferecer uma oportunidade para Índia, Vietnã e Tailândia, os três maiores exportadores de arroz. A Tailândia está com seu estoque cheio graças a um programa de compra do governo, que estimulou a produção local. A economia filipina está sob ameaça de choques inflacionários nos próximos meses, na medida em que as cadeias de abastecimento são interrompidas.

Resgate lento, desespero nas ruas

O custo para reconstruir a precária infraestrutura devastada pelo tufão, incluindo pontes, estradas e redes de eletricidade, deve chegar a US$ 70 milhões, segundo o grupo Citi Research. Muitas regiões afetadas continuam às escuras. Algumas regiões mais remotas permanecem inacessíveis para equipes de resgate. Há relatos de saques a supermercados e hospitais e de corpos ainda espalhados pelas ruas. As Filipinas são um país pobre, onde cerca de 40% da população filipina sobrevive com menos de US$2 por dia. Para evitar uma tragédia ainda maior, o país depende da ajuda humanitária de países vizinhos.

Fontes:
Bangkok Post - Typhoon ruins Philippine rice, sugar

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