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O Japão ainda está preso a tradições sociais do passado

Taggart Murphy, um ex-banqueiro de investimento e atual professor de administração da Universidade de Tsukuba, faz uma análise perspicaz dos problemas do Japão

O Japão ainda está preso a tradições sociais do passado
A previsibilidade da vida social e pública faz com que as cidades japonesas sejam os lugares mais seguros do mundo (Reprodução/Magnum)

A maioria das análises históricas sobre o Japão tende a enfatizar as rupturas do país com o passado. Em meados do século XIX, o introspectivo xogunato Tokugawa foi derrubado e substituído por um governo de oligarcas, com o objetivo de “restaurar” o sistema imperial. Nofinal da Segunda Guerra Mundial o Japão foi derrotado e ocupado pelos Estados Unidos. Durante o “milagre” econômico do período pós-guerra, a renda duplicou a cada década. A última mudança inclui as medidas anunciadas pelo primeiro-ministro, Shinzo Abe, para recuperar a longa estagnação e recessão da economia japonesa desde o final da década de 1980.

Mas, por outro lado, em Japan and the Shackles of the Past, Taggart Murphy, um ex-banqueiro de investimento e atual professor de administração da Universidade de Tsukuba, faz uma análise perspicaz dos problemas do Japão e destaca as continuidades.

Algumas continuidades são extremamente interessantes. Poucos visitantes estrangeiros ficam indiferentes à preocupação e às atenções tão delicadas dos japoneses com quem têm contato, do barman a um parceiro de negócios. É notável também como os japoneses executam os piores trabalhos como se fossem os melhores.

A previsibilidade da vida social e pública faz com que as cidades japonesas sejam os lugares mais seguros do mundo. E o desejo de consenso ajudou a consolidar as bases do sucesso excepcional do Japão após a guerra, quando as condições de vida eram dificílimas e os assalariados tinham de cumprir longas horas de trabalho. Mesmo hoje a “cultura” tem grande influência como força organizacional e coesão social. Que outro país teria resistido com tanta coragem a duas décadas de estagnação, além de um terrível terremoto, um maremoto e um desastre nuclear em 11 de março de 2011?

Fontes:
The Economist-In the air

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