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Energia

O Japão não aprendeu a lição do programa de energia renovável da Alemanha

Os protestos das empresas de utilidade pública lançaram dúvidas em relação ao plano do Japão de aumentar a produção de energia renovável para 20% em 2030, quase o dobro da produção antes do acidente nuclear em Fukushima

O Japão não aprendeu a lição do programa de energia renovável da Alemanha
Sato, um pequeno empresário investiu na produção de energia solar (Reprodução / Internet)

A 129 quilômetros a noroeste da antiga usina nuclear de Fukushima, Yauemon Sato, um pequeno empresário investiu na produção de energia solar. Sato arrendou terras, contratou mão de obra e obteve um empréstimo de ¥80 milhões ($6.8 milhões) de investidores locais e bancos. A empresa tem capacidade de produzir eletricidade para cerca de setecentas famílias. Mas a empresa pública de fornecimento de eletricidade local recusa-se a comprar mais de um quarto de sua produção.

O Japão criou uma das tarifas mais altos para o programa de energia do mundo em 2012, em parte devido à crise da energia atômica depois do acidente nuclear de Fukushima. As empresas de eletricidade pagam ¥42 por quilowatts-horas (kWh) a novos empresários como Yauemon Sato. Esse alto custo da tarifa de energia causou um aumento de mais de 1,2 milhão de pedidos de acesso às redes de transmissão de energia elétrica de empresas, na maioria de produção de energia solar. Diante dessa predominância do setor privado no fornecimento de energia, muitas empresas de utilidade pública começaram a bloquear o acesso às linhas de transmissão de energia elétrica.

Kyushu Electric, que fornece energia elétrica a 9 milhões de clientes na região ensolarada do sul do Japão, foi a primeira a protestar em setembro, depois que 72 milhões de produtores de energia solar tentaram impedir que a decisão de reduzir a tarifa de energia para ¥32 por quilowatts-horas (kWh) fosse aprovada no prazo previsto. A empresa declarou que não aceitaria novos pedidos de acesso às redes de transmissão, até que houvesse uma discussão sobre a confiabilidade do suprimento de energia dos novos produtores. O Ministério de Economia, Comércio e Indústria (METI) apoia os serviços de utilidade pública e prepara um novo corte de tarifa.

Os protestos da empresas de utilidade pública lançaram dúvidas em relação ao plano do Japão de aumentar a produção de energia renovável para 20% em 2030, quase o dobro da produção antes do acidente nuclear em Fukushima.

Fontes:
Economist - Solar shambles

2 Opiniões

  1. André Luiz D. Queiroz disse:

    Jomar Bastos,
    As fontes alternativas de geração elétrica, tanto a solar como a eólica, têm um problema: a inconstância da produção. Obviamente, painéis fotovoltaicos só podem gerar eletricidade quando o sol brilha, e as turbinas eólicas só produzem energia quando sopra suficiente vento! Consequentemente, a tecnologia atual não permite adequar satisfatoriamente a potência de geração eólica ou solar aos horários de demanda! Esse problema já não acontece com geração hidroelétrica, onde é possível sim controlar a vazão da represa para gerar energia conforme a demanda, seja de dia ou de noite (desde que haja suficiente volume de água represada).
    Há pesquisas para desenvolver maneiras de ‘armazenar’ a energia solar e a eólica, e assim adequar a distribuição à demanda; pode-se, por exemplo, gerar hidrogênio por eletrólise a partir da potência excedente da geração solar/eólica, e consumir o hidrogênio armazenado em células combustíveis para gerar eletricidade nos horários quando não há sol para as placas fotovoltaicas, ou não há vento suficiente para girar as turbinas eólicas. Mas tudo isso ainda é caro comparativamente — o custo do kilowatt/hora gerado por fonte solar ou eólica ainda é muito maior que o da geração hidrelétrica. Portanto, embora seja sim desejável o incentivo ao desenvolvimento dessa novas tecnologias, elas são e continuarão sendo “alternativas”, por um bom tempo.

  2. Joma Bastos disse:

    Os Japoneses que têm energia de sobra, vão com toda a certeza resolver seus problemas como sempre resolveram.
    O problema energético brasileiro é que é muito grave. A produção de energia alternativa é quase irrisória, e o governo brasileiro nem quer saber de veículos elétricos. Temos sol à farta e não aproveitamos o grande potencial elétrico da energia solar. Queremos é construir hidrelétricas!

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