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DSK no Tribunal

O julgamento do ex-diretor-geral do FMI rompe tabus na França

Nunca as atividades sexuais de uma antiga figura poderosa do cenário político e econômico da França haviam sido expostas em público

O julgamento do ex-diretor-geral do FMI rompe tabus na França
Dominique Strauss-Kahn havia sido um forte candidato do Partido Socialista à presidência da república (Reprodução/Reuters)

Quando Dominique Strauss-Kahn foi detido no aeroporto JFK em Nova York em 2011 e preso sob acusação de abuso sexual, a opinião pública francesa indignou-se. Na pior das hipóteses poderia ser uma armadilha; ou o resultado de um excesso de puritanismo americano. O espetáculo de um diretor-geral do FMI algemado por ter cometido uma “transgressão” sexual provocou um sentimento especial de revolta.“Mas, na verdade, ninguém havia morrido”, disse com desdém um político socialista francês.

A justiça norte-americana desistiu do processo judicial por falta de provas conclusivas, mas agora a França tem sua versão das peculiaridades sexuais do ex-diretor-geral do FMI em um tribunal em Lille. Até esse momento, os franceses haviam reagido com indiferença em relação ao julgamento de DSK, como é conhecido na França, envolvido em um caso de proxenetismo. Afinal, um homem que havia sido um forte candidato do Partido Socialista à presidência da república não era mais uma figura pública. A mídia deu ampla cobertura ao caso, mas os jornais não publicaram editoriais com um tom de desaprovação moral. No dia seguinte ao depoimento de Strauss-Kahn, Le Monde, um jornal de tendência esquerdista, não publicou um artigo sobre o julgamento na primeira página do jornal.

No entanto, à medida que o tribunal ouvia os depoimentos das prostitutas, essa tolerância foi submetida a um teste. Uma delas contou em lágrimas que Strauss-Kahn a obrigara a fazer um ato de sodomia. (Ele dissera que tinha uma sexualidade “exacerbada”.) Jean Quatremer, um jornalista que questionara o comportamento sexual de Strauss-Kahn em 2007, disse que a mídia precisava analisar o motivo de seu silêncio. “Por que a imprensa tem dificuldade em criticar os poderosos e suas vidas privadas?”, perguntou.

Nunca as atividades sexuais de uma antiga figura poderosa do cenário político e econômico da França haviam sido expostas em público, sobretudo com tantos detalhes semipornográficos. A maioria dos casos de acusação de abuso sexual contra políticos franceses logo era retirada, até mesmo a de Tristane Banon, uma escritora francesa, que acusou Strauss-Kahn de tentativa de estupro. É possível que Dominique Strauss-Kahn seja absolvido. Mas um tabu foi rompido e a tradicional indiferença da França em relação a abusos sexuais foi, dolorosamente, questionada.

Fontes:
Economist-Bad days in Lille

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