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O ‘livre comércio’ de Donald Trump

A política comercial de Donald Trump se opõe às regras da Organização Mundial do Comércio contrárias aos interesses dos EUA

O ‘livre comércio’ de Donald Trump
Trump não é o primeiro presidente a se queixar dos acordos comerciais. Mas sua visão negativa da atuação da OMC (Foto: Flickr)

Donald Trump defende a ideia de um comércio livre, justo e inteligente. Por esse motivo, não gosta das regras que regem as negociações dos acordos comerciais nos Estados Unidos. Segundo as normas atuais, as importações reduzem a oferta de emprego nos EUA e criam obstáculos para os exportadores americanos.

Trump não é o primeiro presidente a se queixar dos acordos comerciais. Barack Obama criticou o Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) durante sua campanha presidencial, depois negociou a participação dos EUA no Tratado Transpacífico de Livre Comércio (TPP), rejeitado pelo governo de Donald Trump. Após críticas severas e ameaça de se retirar do Nafta, Trump quer renegociar os termos do acordo com o México e o Canadá. Mas sua visão negativa da atuação da Organização Mundial do Comércio (OMC) é mais profunda.

A OMC reúne 163 países e tem como objetivos principais administrar as políticas comerciais de seus estados-membros; estabelecer regras comuns de comércio internacional; e oferecer um fórum para resolver disputas e litígios na área comercial. A crítica do governo Trump à OMC baseia-se em três questões básicas.

Em primeiro lugar, 77% do déficit comercial dos EUA origina-se das relações comerciais com países que seguem as regras da OMC. Em segundo, os compromissos tarifários dos EUA no âmbito da OMC são inferiores aos de outros países. Em 2015, os EUA aplicaram uma tarifa média de 3,5% em suas importações, em comparação com 4,0% do Japão, de 5,1% da União Europeia (UE) e de 9,9% da China (a média mais alta é das Bahamas). Por fim, na visão de Trump as regras da OMC impedem que os Estados Unidos façam bons acordos comerciais com outros países.

A OMC segue o princípio da “nação mais favorecida” introduzido na política comercial americana por Franklin Roosevelt em 1934. Esse princípio não permite um tratamento discriminatório entre seus países membros. Como norma geral, não é permitido reduzir a alíquota do imposto de um produto de importação de um país, sem estender a mesma redução a outros países do acordo comercial. Nesse contexto, os EUA não podem adotar medidas unilaterais de aumento de suas tarifas de importação, como sugerido pelo secretário de Comércio, Wilbur Ross.

O sistema da OMC baseia-se em regras comuns de comércio internacional. Se um país membro quebrar as regras, outros poderão retaliar, com o risco de os países se envolverem em uma guerra tarifária e comercial. Além disso, se a política externa de Trump resultar em protecionismo, o comércio dos EUA, tanto por parte do consumidor quanto de quem produz os bens de consumo, será prejudicado.

Fontes:
The Economist-What Donald Trump means by fair trade

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