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ZIKA VÍRUS

O medo infundado do mosquito transgênico

Na ausência de uma vacina contra o zika vírus, uso de mosquitos transgênicos é uma promessa, mas controle biológico de pragas ainda é tabu

O medo infundado do mosquito transgênico
Larvas do 'Aedes do bem' no laboratório da Oxitec em Campinas, SP (Foto: Divulgação/Oxitec)

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Em um artigo de opinião publicado no jornal New York Times nesta quarta-feira, 6, a geneticista molecular Nina Fedoroff e o ex-secretário de Agricultura americano John Block defendem o uso do mosquito transgênico no combate ao mosquito transmissor da dengue, chicungunya, zika e febre amarela, o Aedes aegypti. Eles consideram a cautela e o medo em torno do controle biológico de pragas um exagero infundado.

Eles apontam que a agência reguladora americana FDA (Food and Drug Administration, em inglês), constatou, recentemente, que o uso de mosquitos geneticamente modificados para controlar o Aedes aegypti não tem impacto ambiental significativo. A constatação favorece o início de experimentos com o mosquito transgênico no sul da Flórida, onde o clima é propício para doenças associadas ao Aedes.

Os articulistas comentam que a população americana ainda está apreensiva simplesmente pelo fato de os mosquitos serem geneticamente modificados. A companhia que os produz enfrenta um extenso processo regulamentário federal para conseguir autorização para soltar os mosquitos nos Estados Unidos.

Segundo Nina e Block, o controle biológico de insetos pode erradicar a praga em grandes áreas. Eles citam o exemplo de uma larva voadora que se alimentava de carne fresca. O inseto causou uma perda de milhões de dólares na pecuária. Por volta de 1950, o pesquisador Edward Knipling descobriu uma forma de controlar o inseto por meio da sua esterilização. Depois de experimentos com a soltura de insetos estéreis que copulavam, mas não se reproduziam, a praga acabou sendo erradicada num processo de cerca de três décadas. O último caso nos Estados Unidos foi relatado no final de 1985. Esta provavelmente é a história de maior sucesso de controle biológico de pragas.

Agora, diante da ameaça de saúde pública do zika vírus, uma start-up chamada Oxitec quer soltar mosquitos com um gene letal, que previne o desenvolvimento de crias do mosquito transmissor da doença, Aedes aegypti. Apenas os machos seriam soltos e eles não teriam nenhum efeito em relação às pessoas, já que eles não picam. Pequenos testes feitos nas Ilhas Cayman, no Panamá e no Brasil desde 2009 reduziram a população local de mosquitos.

“Então por que não fazem logo testes em grande escala? Porque a regulamentação em relação a organismos geneticamente modificados é bem diferente entre países. No Brasil, por exemplo, a soltura dos mosquitos da Oxitec foi aprovada por uma agência governamental, mas ainda espera a aprovação de outra”, diz o texto.

Os articulistas lamentam que, apesar do Departamento de Agricultura americano ter um conhecimento considerável no controle de insetos, ele não assumiu um papel para ajudar a ultrapassar as complexidades regulamentares para a soltura destes mosquitos. Então, os mosquitos geneticamente modificados estão sendo regulados como uma “nova droga animal” pela FDA.

 

 

 

Fontes:
The New York Times-Mosquito vs. Mosquito in the Battle Over the Zika Virus

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