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CRISE MUNDIAL

O mundo está à beira de um colapso financeiro?

O aumento impressionante da dívida global, o fim do boom das commodities e a desaceleração na China abalaram seriamente a economia global

O mundo está à beira de um colapso financeiro?
Muitos indicadores de finanças globais apresentam previsões pessimistas (Foto: Flickr)

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Martin Armstrong é um economista americano famoso por prever com precisão exata o colapso que abalou o mercado acionário americano em 19 de outubro de 1987. Este ano, ele deixou a economia global em alerta após prever um colapso de proporções globais para o dia 1 de outubro.

Para alívio de muitos investidores, a data chegou e passou sem maiores turbulências. No entanto, uma análise mais profunda sugere que Armstrong não estava de todo errado. Muitos indicadores de finanças globais apresentam previsões pessimistas e, para alguns, o colapso financeiro global já começou. Alguns fatores ajudam a explicar essa tendência.

Primeiro há a insustentável dívida. Desde 2007, a dívida mundial aumentou em US$ 57 trilhões, chegando a impressionantes US$ 199 trilhões. Isso representa um crescimento anual da dívida de 5,3%, bem acima da média de 4% registrada pelo PIB global no mesmo período.

Nos últimos oito anos, a dívida dos países emergentes dobrou e nos países desenvolvidos ela chegou a crescer mais de um terço. A maior causa do inchaço da dívida é referente aos US$ 12 trilhões emprestados facilmente por bancos centrais desde 2009, combinados com taxas de juros próximas de zero. Quando o preço real do dinheiro é próximo de zero, as pessoas tomam empréstimos e deixam para se preocupar com as consequências mais tarde.

O preço real das coisas, aliás, faz parte do segundo fator a ser analisado. O preço do barril do petróleo começou a entrar em colapso no segundo semestre de 2014, caindo de US$ 110 para US$ 49. Para completar, o preço das commodities despencou. O cobre, que em 2011 custava US$ 4,50 o quilo, foi comercializado por metade deste valor em setembro deste ano. O índice de inflação entre todos os países do G7 está próximo de zero, e a deflação já começa a rondar os países do sul da zona do euro.

A economia da China, que em 2009 se tornou o motor propulsor da recuperação financeira global, está desacelerando. O Japão, recentemente, revisou para baixo sua previsão de crescimento. A zona do euro está estagnada e os Estados Unidos, que apresentaram uma leve recuperação econômica após medidas de intervenção do Federal Reserve (o banco central americano), voltou a piorar após a suspensão dessas medidas.

Como sugerem previsões do Banco de Compensações Internacionais, órgão que supervisiona o setor bancário global, em curto prazo teremos um mundo onde “a dívida será muito alta, o crescimento da produtividade muito fraco e os riscos financeiros serão muito ameaçadores”.

Fontes:
The Guardian-Apocalypse now: has the next giant financial crash already begun?

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