Início » Internacional » O ‘não’ colombiano ao acordo de paz com as guerrilhas
BLOQUEIO À PAZ

O ‘não’ colombiano ao acordo de paz com as guerrilhas

Ninguém quer o retorno da guerrilha. Mas os eleitores colombianos bloquearam o caminho da paz

O ‘não’ colombiano ao acordo de paz com as guerrilhas
O presidente Santos não previa a derrota do acordo nas urnas (Foto: Agência Lusa)

Prezados leitores, o Opinião e Notícia encerrará suas atividades em 31/12/2019.
Agradecemos a todos pela audiência durante os quinze anos de atuação do site.

Juan Manuel Santos, presidente da Colômbia, fez uma jogada arriscada para o futuro do país em 2 de outubro e perdeu a aposta. Depois de quatro anos de negociações difíceis em Havana, representantes do governo colombiano e da organização guerrilheira FARC chegaram a um acordo para encerrar os 52 anos de luta armada, o mais longo conflito na América Latina. O presidente Santos submeteu a aprovação do acordo a um referendo realizado em 2 de outubro. Por uma pequena margem, os eleitores disseram “Não”. 

Esse resultado surpreendente deixou o processo de paz no limbo, mergulhou o país na incerteza e enfraqueceu o poder do presidente. O governo não previa a derrota. Em uma entrevista recente à revista The Economist, Santos disse que tinha certeza do sucesso do “Sim” e não parecia preocupado com a margem de vitória. “Venceremos com a metade, mais um”, afirmou. A margem da derrota foi mínima: o “Não” ganhou com 50,2% dos votos. O comparecimento às urnas foi pequeno; só 13 milhões dos 35 milhões de eleitores colombianos votaram. É provável que o furacão Matthew tenha influenciado essa abstenção na costa caribenha, onde a maioria das pessoas é a favor da paz.

A pequena maioria dos eleitores apoiou Álvaro Uribe, o antecessor de Santos na presidência do país, em seu argumento que o governo deveria ter feito um acordo mais rigoroso com as FARC. As cláusulas do acordo que previam uma “justiça de transição” para os líderes das FARC, que haviam cometido crimes de guerra eram indulgentes demais, disse o senador Uribe. A Colômbia poderia ter prendido esses líderes e, ainda assim, conseguiria selar a paz, insistiu. Mas quando os negociadores do governo apresentaram a proposta de prisão para os guerrilheiros, eles recusaram categoricamente a sugestão.

O último plebiscito na Colômbia realizou-se em 1957, quando os eleitores aprovaram a criação da Frente Nacional, um pacto de compartilhamento de poder entre os dois principais partidos políticos, os liberais e os conservadores, a fim de encerrar anos de violência partidária. Esse pacto funcionou apenas por algum tempo. A exclusão de outras forças políticas incentivou a criação de grupos que queriam exercer o poder por meio da intimidação física ou moral, entre eles as FARC. A lição do referendo proposto pelo presidente Santos não é diferente. A paz depende do consenso de todas as forças políticas colombianas.

Fontes:
The Economist-Saving Colombia’s peace agreement

Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não refletem a opinião deste site

2 Opiniões

  1. Roberto1776 disse:

    CRIMES DE GUERRA? Está meio mundo louco? Terroristas deveriam passar o resto de suas vidas na cadeia e jamais receber anistia. São mais de 50 anos de assassinatos a sangue frio.

  2. Ludwig Von Drake disse:

    Os guerrilheiros são pessoas que nasceram e se criaram no mesmo lugar, alguns nunca saíram da mesma província. Fazem o que fizeram sempre: vender coca – o único defeito é querer derrubar o governo, mas quem não quer?. E daí vem o Tio Sam e diz que eles são terroristas. Pode?

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *