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o que faz um IPhone 5?

O outro lado da produção do novo iPhone 5

Repórter do 'Shangai Evenig Post' relata os dez dias em que trabalhou disfarçado em uma fábrica da Foxconn

O outro lado da produção do novo iPhone 5
IPhone 5: tecnologia de ponta montada por métodos de trabalho arcaicos (Reprodução/Reuters)

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A Apple lançou nesta quarta-feira, 12, o seu muito aguardado iPhone 5. Com uma tela de quatro polegadas e um display maior que a versão anterior, o aparelho ganhou espaço para uma nova fileira de aplicativos. Além disso, ele vem com um novo sistema de Wi-Fi e tem 7,6 mm de espessura (18% mais fino que o modelo anterior). Todo feito de alumínio e vidro, o aparelho tem uma resolução de 1136 x 640, com tecnologia Retina.

É por isso que não há momento melhor que este para se falar sobre o árduo e repetitivo trabalho necessário para a montagem do novo iPhone 5.  Um repórter do jornal Shangai Evening Post trabalhou disfarçado por 10 dias dentro de uma fábrica da Foxconn, na China, marcando com uma caneta de óleo os pontos de junção e encaixando as tampas traseiras de alumínio de milhares de iPhones 5.  Vale lembrar que a Foxconn, empresa com sede em Taiwan, é a mesma que teve suas condições de trabalho amplamente investigadas em 2010 após uma onda de suicídios de funcionários da empresa repercutir pelo mundo.

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Após ouvir o supervisor dizer aos funcionários que eles “deveriam se orgulhar da chance de produzir o aparelho”, o repórter deu início a uma jornada de sete horas de trabalho, o que parece pouco perto dos famosos relatos de 12 horas de trabalho da fábrica.

Mas bastou a jornada começar para o repórter ter noção de quão exaustivo e monótono é o trabalho de montar um iPhone. O repórter dispunha de apenas três segundos para fazer quatro marcas de óleo nas tampas traseiras do aparelho. “Após repetir o mesmo movimento por várias horas, fiquei com uma terrível dor no pescoço e nos músculos dos braços”, disse o repórter, que viu um funcionário ser colocado de folga por 10 minutos após cair de exaustão.

Ao final do dia o repórter havia montado cinco iPhones por minuto, o que dá um total de 3 mil iPhones em 10 horas. “Nós trabalhamos sem parar de meia noite às 6h e tínhamos de manter o ritmo, pois a produção era feita através de uma esteira. Ninguém podia parar. Estava faminto e extremamente exausto”, escreveu o repórter.

Ao escrever sobre a reportagem, Cyril Chang, jornalista do Micgadget, disse que todos os fãs da Apple deveriam reconhecer o árduo esforço dos trabalhadores chineses.

Fontes:
The Atlantic Wire-An Inside Look at the Making of the iPhone 5: 'Starving and Exhausted'

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1 Opinião

  1. GILSON CORREIA disse:

    Qual é a novidade! Queria que ele ficasse trabalhando em uma empresa automotiva, que podesse ver o nº de profissionais lesionados para vida toda. Ninguém fala sobre esse tipo de mutilação coletiva. Nem empresa, nem sindicato, nem ministério do trabalho. Isso não é trabalho! Eu posso afirmar: Uma grande maioria dos trabalhadores da Indústrias de veículos, depois de poucos anos (2 ou 3)de trabalho, tem um problema de saúde. E por fim, o próprio INSS ignora o problema de saúde pública. Tudo em prol do sonho de consumo americano que se infestou pelo mundo e o Brasil não seria uma exceção.

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