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SELEÇÃO NATURAL

O papel da genética subjacente na evolução

Pesquisa analisa a semelhança genética entre duas espécies diferentes de pandas e seus efeitos nas formas e funções dos animais

O papel da genética subjacente na evolução
Panda-vermelho foi estudado e comparado com o panda-gigante (Foto: Flickr)

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A evolução convergente, ou seja, o processo de adaptação de espécies diferentes a determinadas condições ambientais, no qual adquirem características semelhantes, é um tema de grande interesse para os biólogos. Agora um aspecto desse fenômeno, o da genética subjacente, está sendo pesquisado com mais profundidade. Em especial, o tema novo da frequência das mudanças decorrentes de mutações semelhantes em duas linhagens convergentes e das causas genéticas diferentes, que têm efeitos semelhantes nas formas e funções dos animais

A pesquisa realizada em dois animais que, apesar da relação distante, compartilham o mesmo hábito alimentar, têm as mesmas características anatômicas e um nome incomum, panda, esclareceu muitas questões sobre o processo de seleção natural.

O panda-gigante é um urso com pelagem branca e preta. O panda-vermelho pertence à família das doninhas, dos guaxinins e das jaritatacas. Os hábitats desses animais, as regiões montanhosas do sul da China e arredores, se sobrepõem, mas o ancestral comum deles viveu há 43 milhões de anos. No entanto, ambos pertencem à classe dos mamíferos carnívoros, assim como cachorros, gatos, hienas, mangustos, focas, entre outros mamíferos. Mas curioso, eles são animais herbívoros.

Ainda mais intrigante, os pandas alimentam-se essencialmente de brotos, folhas e caules de bambu, planta típica de seu hábitat. Além disso, os dois pandas têm seis dedos nas patas dianteiras, uma espécie de polegar originário de um dos ossos do pulso, que os ajuda a segurar os caules dos bambus.

Em razão dessas características comuns, Hu Yibo do Instituto de Zoologia, em Pequim, e seus colegas, questionaram se esses animais da classe de mamíferos carnívoros, porém herbívoros em seus hábitos alimentares, também compartilhavam mutações genéticas que pudessem explicar essas peculiaridades. Sim, foi a conclusão de Hu Yibo mencionada em um artigo recém-publicado em Proceedings of the National Academy of Sciences.

Com a finalidade de pesquisar essas semelhanças genéticas, Hu e seus colegas compararam o DNA dos dois pandas com ursos polares (parentes próximos dos pandas-gigantes), furões (parentes próximos dos pandas-vermelhos), tigres e cachorros (que não pertencem à mesma família de nenhum dos dois).

A equipe de pesquisadores identificou 70 genes, entre os 20 mil ou mais que os mamíferos têm, com DNA compartilhado pelos pandas. Os pesquisadores também encontraram dez genes defeituosos decorrentes de mutações imperfeitas nos dois pandas, mas não nos outros quatro animais. Nem todas as características genéticas compartilhadas tinham relação com as peculiaridades dos pandas. As que tinham relação foram classificadas em três categorias: genes que afetam a anatomia, o apetite, e genes que têm influência na digestão e no metabolismo dos alimentos. As outras convergências genéticas descobertas pela equipe de pesquisadores referiam-se à digestão e ao metabolismo de substâncias escassas ou ausentes dos bambus.

Os dois pandas compartilham uma genética subjacente às suas peculiaridades comuns. Essas semelhanças são mais fáceis de descobrir do que caminhos genéticos em direção ao mesmo resultado. Mas, segundo Hu Yibo, pelo menos no caso dos pandas, a seleção natural seguiu quase sempre os mesmos caminhos para chegar aos mesmos resultados.

Fontes:
The Economist-Two strange mammals illuminate the process of natural selection

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1 Opinião

  1. Carlos Valoir simões disse:

    A conclusão do Seu Hu Yibo é complicada, eu explico: ele está dizendo que os gens são consequência e não causa da evolução.

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