Início » Internacional » O papel da Polônia nas torturas da CIA
Tortura da CIA na Polônia

O papel da Polônia nas torturas da CIA

Agência de espionagem americana manteve prisioneiros em prisões secretas na Polônia, onde foram torturados

O papel da Polônia nas torturas da CIA
Em certo sentido, a Polônia não tem outra escolha a não ser dar continuidade aos relatórios de crimes da CIA (Reprodução/Reuters)

Zbigniew Siemiatkowski talvez detenha a honra ambígua de ser a única pessoa no mundo a enfrentar um processo judicial referente ao programa de tortura da Agência Central de Inteligência (CIA) e ele não é americano. O ex-diretor da agência de inteligência polonesa estava à frente da agência de espionagem do país, quando os americanos pediram permissão para manter prisioneiros em território polonês, em 2002. Sua aquiescência converteu-o em um alvo de uma investigação lenta e de total sigilo do governo da Polônia, agora em seu décimo sétimo ano. O jornal Gazeta Wyborcza publicou há dois anos que Siemiatkowski fora acusado de violar a legislação polonesa e a internacional, ao permitir que a CIA interrogasse prisioneiros em uma prisão secreta em Stare Kiejkuty, uma cidade do norte da Polônia.

O que aconteceu na cidade de 2002 a 2003 foi revelado em um relatório minucioso das atividades de tortura da CIA divulgado no Senado dos Estados Unidos no dia 9 de dezembro. Embora o relatório tenha removido o nome dos países, a frase “Detention Site Blue” fez uma conexão com Stare Kiejkuty, onde cinco prisioneiros foram mantidos sob tortura. Khalid Sheikh Mohammed, acusado de ser um dos planejadores do atentado terrorista de 11 de setembro, foi submetido à tortura de mergulhar sua cabeça na água assim que chegou à prisão. O tratamento foi tão brutal que um médico anotou: “Estávamos basicamente fazendo uma série de afogamentos.”

Em certo sentido, a Polônia não tem outra escolha a não ser dar continuidade aos relatórios de crimes da CIA. O relatório do Senado obrigará a Polônia a agilizar a investigação letárgica de Siematkiowski, uma situação irônica porque os americanos que realizaram as torturas ainda têm de ser acusados. Mas não houve progresso nos dois últimos anos. É possível que os poloneses não tenham aprovado o uso do país pela CIA para práticas de tortura, porém com uma Rússia expansionista ao lado, estão relutantes em pressionar demais o assunto.

Fontes:
The Economist-Detention Site Blues

1 Opinião

  1. Carlos U Pozzobon disse:

    Me pergunto se existe algum tratamento humanitário possível para terroristas muçulmanos. Esta gente tem planos de assassinatos generalizados, que se não desbaratadas, certamente estaríamos assistindo no Ocidente repetições contínuas dos atentados de Nova York, Madrid e Londres. A ideia de que é preciso extrair confissão de um religiopata assassino para evitar que inocentes sejam vítimas futuras pode parecer exagerada, mas só para quem está fora do mundo real. Aqueles que esbravejam contra o tratamento dispensado a estes facínoras não seriam perdoados por eles, se tivessem a liberdade para agir que lhes foi negada.

Sua Opinião

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados *