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DIPLOMACIA

O polêmico acordo de 2015 sobre as ‘mulheres conforto’

Painel da Coreia do Sul revisa negociações do acordo e aponta falhas graves

O polêmico acordo de 2015 sobre as ‘mulheres conforto’
Estátua em homenagem às 'mulheres conforto' em Seul, na Coreia do Sul (Foto: AFP/ STR / YONHAP)

Durante a Segunda Guerra Mundial, dezenas de milhares de mulheres, principalmente coreanas, foram exploradas sexualmente pelos soldados japoneses. O Japão tentou apagar isso da sua história, mas o escândalo veio à tona em 1991, quando a sul-coreana Kin Hak-Soon quebrou o silêncio e fez uma denúncia. Ela acabou por encorajar 250 mulheres a contarem suas experiências como escravas sexuais dos japoneses. As vítimas exigiam reconhecimento e desculpas do governo japonês.

Segundo as denúncias de Kin e investigações posteriores, os soldados japoneses instalaram bordéis militares nos países que dominavam. As mulheres, em sua maioria menores de idade, eram sequestradas de suas casas e ficavam presas nesses lugares, onde deveriam servir aos soldados japoneses de todas as Forças Armadas. Elas tinham horários determinados para servir cada grupo de soldados e o tempo que cada militar podia ficar com elas variava segundo a patente.

Em 1993, o governo japonês publicou um estudo reconhecendo oficialmente a existência das “mulheres conforto” (eufemismo usado pelos japoneses para se referir às escravas sexuais da época) e o papel dos soldados japoneses. Em 2007, uma corte japonesa decidiu que as mulheres não tinham direito a receber indenizações. A decisão deixou um gosto de frustração nas vítimas.

O acordo histórico e suas polêmicas

Em 2015, o Japão e a Coreia do Sul assinaram um acordo histórico para colocar esta questão de lado. A então presidente da Coreia do Sul, Park Geun-Hye, tinha uma posição intransigente em relação ao tema, mas, pressionada pelos Estados Unidos, ela aliviou sua posição e concordou em conversar com o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe sobre o assunto.

Conforme o acordo, o Japão pediu desculpas às ex-mulheres conforto e providenciou um fundo privado para ajudá-las. Em troca, a Coreia do Sul não criticaria mais Tóquio sobre o assunto. O acordo foi aplaudido pelos Estados Unidos e amplamente criticado na Coreia do Sul. Muitos criticaram o fato da Coreia do Sul ter ignorado as demandas das vítimas de que o Japão assumisse responsabilidade legal do crime e que fornecesse indenizações oficiais.

Muitas das coreanas que sobrevieram, viveram em silêncio por causa do estigma e muitas nunca casaram. O Japão considera que as estátuas em homenagem às mulheres confortos violam o acordo de 2015. Uma delas já foi inclusive motivo para o Japão retirar temporariamente seu embaixador de Seul.

Nesta semana, um painel na Coreia do Sul apontou que o governo anterior conservador falhou em não falar com as vítimas antes de fechar o acordo. Na última quinta-feira, 28, o atual presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, disse que o acordo assinado em 2015 tem “falhas graves”.

A declaração coloca em dúvida o acordo, dois anos depois de ambos os países o terem declarado como “final e irreversível”. Na última quarta-feira, 27, a ministra das Relações Exteriores sul-coreanas, Kang Kyung-wha, pediu desculpas pelo pacto controverso. O Japão respondeu que qualquer tentativa da Coreia do Sul de revisar o acordo, tornaria as relações “inadministráveis”.

Durante a campanha presidencial, Moon e outros candidatos disseram que iriam rever o acordo caso fossem eleitos. No entanto, assim como Park estava, Moon está sob pressão de Washington e até da Coreia do Sul para melhorar os laços com o Japão, para que eles possam conter a ameaça norte-coreana.

 

Fontes:
The New York Times-Deal With Japan on Former Sex Slaves Failed Victims, South Korean Panel Says
DN-Coreia do Sul aponta "falhas graves" a acordo com o Japão sobre escravas sexuais
Folha de S.Paulo-Japão adverte Coreia do Sul sobre acordo das 'mulheres de conforto'
BBC-As escravas sexuais da 2ª Guerra que estão no centro de novo conflito diplomático entre Japão e Coreia do Sul

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