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Economia australiana

O potencial do norte australiano

A Australia quer transformar sua mais remota região em um polo de investimento asiático

O potencial do norte australiano
Imagem de satélite do Lake Dora, na Austrália Ocidental (Foto: Wikipedia)

Os australianos, por muito tempo, olharam para o norte de seu país como sua última fronteira. A região de desertos vermelhos e costas com altas temperaturas acima do Trópico de Capricórnio se alastra através dos estados de Queensland, Austrália Ocidental e o Northern Territory (NT), domínio federal. É do tamanho da Índia, mas sua população é ínfima. De uma população nacional de 23 milhões, pouco mais de 1 milhão de pessoas vivem lá. Mas o norte está mudando. Antes um porto-seguro para desajustados e caçadores de fortuna, está agora atraindo pessoas em um ritmo mais acelerado que o resto da Austrália, em grande parte graças a um fenômeno resultante da venda de seu minério de ferro, carvão e petróleo às economias famintas por recursos da Ásia. Tony Abbott, o primeiro-ministro da Austrália, chama a região de uma “potência econômica emergente”.

Em 18 de junho deste ano, o governo de Abbott publicou um documento alinhando planos para o desenvolvimento do norte australiano para os próximos 20 anos. A atenção chega atrasada. Dos 10 principais parceiros de comércio da Austrália, seis estão localizados na Ásia. Darwin, a capital do NT, é mais perto de algumas capitais asiáticas do que de Camberra, a capital australiana. O esquema de Abbott, ainda por gerar frutos, deve vencer outros desafios distanciais que eliminaram sonhos anteriores de revitalizar o norte: paisagens chamuscadas, poucas estradas e altos custos de investimento.

O plano definiu propostas do Institute of Public Affairs, think-tank australiano. O instituto promoveu suas ideias em conjunto com um grupo na Austrália Ocidental fundado por Gina Rineheart, cuja fortuna de minério de ferro da região de Pilbara fez dela a pessoa mais rica da Austrália. Ambas as partes querem que o norte do país se torne um polo para investimentos asiáticos.

Há promessas de investimento em infraestrutura, como estradas e represas (para conter a água das chuvas de monção). Um objetivo é aumentar a população. O governo quer relaxar regras de visto para permitir que empresas mineradoras recrutem mais trabalhadores estrangeiros, e abolir limites aos trabalhadores sazonais de países insulares do Pacífico e Timor-Leste. No entanto, investidores potenciais enfrentam problemas. Australianos aborígenes possuem muitas das terras do norte por leis que reconhecem seu direito tradicional a elas. Outras faixas do norte, conhecidas como arrendamentos pastorais, só podem ser usadas para a pecuária: um legado de leis do século XIX projetadas para impedir apropriação de terrenos. O governo que relaxar as regras governando ambos os tipos de terra. Robb argumenta que mais “certeza e flexibilidade” nas leis dos terrenos podem ajudar a “atrair novos investimentos”.

O esquema tem potencial. O norte da Austrália já tem a maioria dos investimentos internacionais no próspero negócio de mineração. Em 2012, os investimentos somaram 206 bilhões de dólares australianos, cerca de R$487 bilhões.

Fontes:
Economist-Taming the frontier

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