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Reféns da indiferença

O preço da política americana de não negociar a libertação de reféns

Cada vez mais reféns americanos têm sido mortos por grupos radicais que, diante da indiferença do governo americano, não veem mais motivos para mantê-los

O preço da política americana de não negociar a libertação de reféns
Departamento de Estado americano ignorou a oportunidade de libertar os três reféns executados pelo ISIS (Reprodução/EPA)

No ano passado, Louai Abo Aljoud, um jornalista sírio de 23 anos, foi capturado pelo Estado Islâmico (ISIS). Ele passou 158 dias em cativeiro, como refém do grupo.

Em uma ocasião, ele foi obrigado a servir refeições aos demais reféns, mantidos em uma antiga fábrica de batatas em Alepo. Ao entrar em uma das celas, Aljou se deparou com os jornalistas James Foley e Steven J. Sotloff, e o agente humanitário Peter Kassig, reféns americanos executados pelo ISIS entre agosto e novembro deste ano.

Após o encontro, Aljou decidiu salvar os três jornalistas. Ele estudou a planta e a localização da fábrica, e após ser libertado pelo grupo entrou em contato com o Departamento de Estado americano, na esperança de que as informações coletadas fossem úteis para o resgate dos três reféns. Contudo, para decepção de Aljou, os agentes enviados pelo órgão não deram importância ao caso, dando a Aljou apenas uma vaga garantia de que passariam as informações adiante. “Eles pareciam mais interessados em reunir informações do que em salvar os reféns”, disse Aljou, ao jornal New York Times.

O depoimento do jornalista sírio contradiz a versão oficial do governo americano, que disse ter feito todos os esforços possíveis para libertar os reféns.

Na verdade, desde 2002, os EUA adotaram uma política de não negociar a libertação de reféns com terroristas. O principal argumento é que isso somente incentivaria mais sequestros. Até mesmos as famílias dos reféns não podem negociar resgate, sob pena de serem processadas pelo governo.

Como consequência, cada vez mais reféns americanos têm sido mortos por grupos radicais que não veem mais motivo para mantê-los. “O ISIS sabe que os EUA não vão negociar resgate. Por isso começaram a executá-los”, disse ao jornal ‘NYT’ um rebelde sírio que não quis se identificar.

Em seus dias de cativeiro, Aljou foi levado duas vezes para ser decapitado. Foi salvo no último momento, após os jihadistas o reconhecerem como um dos que estavam sendo negociados por outros grupos rebeldes sírios.

Após o encontro com os agentes do Departamento de Estado americano, Aljou esperou por uma ligação que nunca ocorreu. Meses depois, os três reféns americanos foram executados. “Eu sempre achei que os EUA eram poderosos o bastante para remodelar o mundo. Fiquei decepcionado ao perceber que, quando se trata de negociar a libertação de reféns, eles têm menos poder do que uma milícia síria”, disse Aljou.

Fontes:
The New York Times-The Cost of the U.S. Ban on Paying for Hostages

1 Opinião

  1. Roberto1776 disse:

    É triste esta situação, mas negociar com loucos descontrolados definitivamente não é uma política válida. Se negociar eles matam. Se não negociar eles matam, também.

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