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POLÍTICA

O presidente dos EUA e suas acusações infundadas

O hábito de Donald Trump de fazer denúncias sem provas agora atingiu Barack Obama, com acusações de extrema gravidade

O presidente dos EUA e suas acusações infundadas
O diretor de inteligência do governo de Obama rejeitou com veemência as acusações de espionagem contra Trump (Foto: Twitter)

Depois de ter enviado uma mensagem explosiva e infundada no Twitter contra Barack Obama em 4 de março – “Como o presidente Obama se rebaixou tanto a ponto de grampear [sic] meus telefones…sujeito ruim (ou doente)!” – Donald Trump, em uma atitude de quase provocação a seus colegas republicanos, disse que cabia ao Congresso investigar as escutas telefônicas na Trump Tower durante a campanha eleitoral. “A Casa Branca e o presidente não vão fazer mais comentários sobre o assunto”, disse o porta-voz do governo, Sean Spicer, “até que a investigação seja realizada”.

É preciso que o governo apresente provas das acusações extremamente graves de espionagem feita a Barack Obama. Trump é o presidente dos EUA, 47% dos americanos confiam mais nele do que na mídia, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Quinnipiac. Caso se comprove que o governo de Obama grampeou os telefones da Trump Tower, seu legado estaria arruinado.

Mas Obama teria de ter suspeitas sérias do envolvimento de Trump ou de seus assessores com terroristas ou espiões estrangeiros, a fim de obter a permissão de um juiz federal do Tribunal de Vigilância da Inteligência Estrangeira (Fisa) para que a sede da campanha do candidato republicano fosse espionada. Porém, se Trump, em sua paranoia de conspirações, tivesse feito acusações sem fundamentos ou absurdas sobre seu antecessor e contra as agências de inteligência dos Estados Unidos, essa atitude também seria muito grave. E diante da ausência de fatos ou fontes, é bem provável que as denúncias sejam falsas.

O diretor de inteligência do governo de Obama, James Clapper, rejeitou com veemência as acusações de espionagem contra Trump. James Comey, diretor do FBI, sentiu-se ofendido pelo fato de o presidente ter acusado a agência de um crime tão sério, e pediu ao Departamento de Justiça que também rejeitasse publicamente as acusações. Os assessores de Trump, por sua vez, defenderam a veracidade da história, mas com tanta inconsistência, que, se a questão não fosse tão grave, seria cômica.

No início de sua carreira política Trump afirmou que Obama havia nascido na África. No ano passado, sugeriu que o pai de seu principal concorrente republicano tivera um envolvimento no assassinato de John. F. Kennedy. Agora, em mais uma de suas suposições, baseou, ao que parece, suas alegações em um comentário de um apresentador de rádio, Mark Levin, relatado no site de extrema-direita Breitbart News.

A fim de apoiar a afirmação do presidente, assessores da Casa Branca referiram-se ao site Breitbart e a relatórios da BBC, entre outros meios de comunicação, segundo os quais o FBI tinha obtido um mandado para investigar as ligações com a Rússia de pessoas que haviam participado da campanha de Trump. Mas não houve menção a escutas telefônicas nos relatórios.

Trump está furioso com as suspeitas da interferência dos russos em sua eleição, como sugerido pelas agências de inteligência dos EUA. É possível que sua intenção ao fazer acusações de extrema gravidade a Obama, tenha sido não só de desviar a atenção da desconfiança em relação à Rússia, como também de criar um escândalo para incentivar o apoio de seus partidários.

Fontes:
The Economist-Donald Trump’s habit of making accusations without evidence is corrosive

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