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Regimes autoritários

O que acontece quando morre um ditador

Análise mostra que 20% das ditaduras do mundo têm líderes idosos com problemas de saúde. Seria a chance para a democracia ou uma ameaça de caos?

O que acontece quando morre um ditador
Aos 91 anos, o ditador Robert Mugabe governa o Zimbábue há décadas (Foto: Flickr/Gregg.carlstrom)

Segundo uma análise da revista Foreign Policy, o mundo tem hoje cerca de 55 líderes autoritários no poder ao redor do mundo. Destes, 11 estão acima dos 69 anos de idade e enfrentam diferentes problemas de saúde.

A maioria desses ditadores envelhecidos, como o angolano José Eduardo dos Santos (73 anos), o cazaque Nursultan Nazarbayev (75 anos) e o Robert Mugabe (91 anos) estão há décadas no poder. A princípio, a situação pinta um cenário otimista para ativistas da democracia, que recentemente identificaram um devagar, porém constante, retorno do autoritarismo.

O fato de que 20% das autocracias do mundo enfrentam o espectro da sucessão traria a oportunidade para que novas democracias emergissem. Mas também há a chance de o temor da morte desses líderes acirre uma disputa pelo poder e uma desordem pública capaz de afundar um país no caos.

Os dois cenários parecem prováveis, mas a analise feita pela revista mostra que ambos são implausíveis. “Em nossa avaliação, dos 79 ditadores que morreram enquanto estavam no poder entre 1946 e 2014, descobrimos que a morte de um ditador nunca abre caminho para a democracia. Nem derruba um regime. Em vez disso, na maioria dos casos (92%), o regime persiste após a morte do autocrata. As mortes de Hugo Chávez na Venezuela em 2013, Meles Zenawi na Etiópia em 2012 e Kim Jong Il na Coreia do Norte em 2011 ilustram essa tendência”, diz a análise, feita pela vice-chefe do Conselho de Inteligência dos EUA para a Rússia e a Eurásia, Andrea Kendall-Taylor, e pela professora de Ciência Política da Universidade de Michigan, Erica Frantz.

O estudo também mostrou que a morte de um autocrata raramente é seguida de golpe. No período analisado, um ano após a morte do ditador, os golpes representaram apenas 6% dos casos, comparado com 32% registrados quando eles deixaram o poder por outros motivos. Da mesma forma, protestos populares são raros de ocorrer.

Segundo a análise, o principal fator para manter um regime em vigor após a morte do líder é a presença de um partido de apoio que funcione bem, pois eles facilitam a transição do processo. Em 2010, um grande estudo deste tema demonstrou o poder de prolongamento de partidos em regimes autoritários.

Fontes:
Foreign Policy-When Dictators Die

1 Opinião

  1. Roberto Henry Ebelt disse:

    Rodésia, fundada por Cecil Rhodes com capital em Salisbury no século 19, virou Zimbábue, uma bagunça geral.
    A morte do ditador indígena, sanguinário, inflacionário, comunista Roberto Mugabe, que se ofendeu com a morte do leão Cecil, quando morrer certamente deixará um dos países mais destroçados da África. Rodésia, um sonho que não deu certo.

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