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TENSÕES NO ORIENTE MÉDIO

O que aconteceu na Guerra dos Trinta Anos?

Conflitos e tensões religiosas entre Irã e Iraque traçam paralelos com a Guerra dos Trinta Anos ocorrida na Europa

O que aconteceu na Guerra dos Trinta Anos?
A Guerra dos Trinta Anos teve consequências devastadoras para a Europa central (Foto: Wikipedia)

As tensões no Oriente Médio entre a Arábia Saudita governada pela família sunita Saud e o Irã, cujos líderes são partidários das convicções políticas e religiosas do xiismo, levaram muitos analistas a traçar paralelos com a Guerra dos Trinta Anos na Europa (1618-48). A guerra teve consequências devastadoras para a Europa central e cerca de 20% da população alemã morreu na série de guerras entre diversas nações europeias.

Os conflitos religiosos originários da decisão do imperador do Sacro Império Romano-Germânico (no início Fernando II de Habsburgo) de reafirmar a hegemonia católica em áreas protestantes do império foram a causa direta da guerra. A Reforma havia começado na Alemanha em 1517 com as teses de Martinho Lutero e muitos príncipes do império, que tinha uma estrutura quase federativa, apoiaram a causa protestante.

No reino da Boêmia a revolta dos protestantes, que invadiram o palácio real e jogaram representantes do governo pela janela, fato que ficou conhecido como a Defenestração de Praga, foi esmagada com facilidade. Mas os sucessos do imperador e suas tentativas de confiscar territórios, assustaram outras nações protestantes. A Dinamarca foi a primeira a intervir sem sucesso e, em seguida, o rei Gustavo Adolfo da Suécia obteve uma série de vitórias militares para a causa protestante, antes de ser assassinado em uma batalha em 1632.

As nações que participaram da Guerra dos Trinta Anos não tinham uma homogeneidade religiosa. A França, uma nação católica, financiou a invasão sueca e mais tarde aderiu à guerra; no início alguns governantes protestantes lutaram ao lado do imperador (a causa protestante dividia-se entre luteranos e calvinistas). Muitos participantes tinham interesses territoriais; a Suécia queria controlar a região do Báltico, enquanto a França usou a guerra para conquistar a Alsácia e a Lorena, duas áreas que causariam tensões nos séculos XIX e XX. O conflito também se envolveu com a longa guerra de 80 anos entre a Espanha e sua antiga província, a Holanda.

Então, quais são as analogias? Em primeiro lugar, esses acontecimentos são ecos de mudanças profundas como a Reforma protestante, a revolução iraniana de 1979, que transformou o Irã em uma república islâmica teocrática, e a guerra no Iraque em 2003, que mergulhou o país em uma onda de violência sectária e religiosa com consequências terríveis. As mudanças no equilíbrio de poder provocam a reação de outras potências. E os conflitos religiosos despertam paixões difíceis de conciliar.

No século XVII, após 30 anos em que as nações exauriram suas forças, um acordo pôs fim a imposição da fé. Além disso, nem sempre o vitorioso inicial ganha a batalha; o poderio militar americano enfraqueceu-se depois de 2003. No final da Guerra dos Trinta Anos em 1648, a influência da dinastia dos Habsburgo sobre grande parte da Alemanha diminuiu e a monarquia deu origem ao Império Austro-Húngaro.

Fontes:
The Economist-What happened in the Thirty Years War?

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1 Opinião

  1. Erik David Antonio disse:

    De onde foi tirada essa informação?
    Quais as fontes?

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