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O que a expulsão de diplomatas significa para a Rússia?

O Kremlin perdeu cerca de 140 diplomatas em 27 diferentes países nos últimos dias

O que a expulsão de diplomatas significa para a Rússia?
A Rússia tem o poder de causar perturbações internacionais, como mostrou em 2014, na Crimeia (Foto: Kremlin)

A Rússia passa por uma grande crise diplomática mundial. Depois de ter sido acusado pelo Reino Unido pela tentativa de assassinato do ex-espião russo Sergei Srkipal, o Kremlin perdeu cerca de 140 diplomatas em 27 diferentes países, mais a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

A pior perda da Rússia veio nos Estados Unidos. Depois de Donald Trump ter parabenizado o presidente Vladimir Putin pela vitória nas eleições, os americanos expulsaram um total de 60 representantes da Rússia – sendo 12 deles na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York – e fecharam o Consulado do país em Seattle.

Com essas ações, os países têm mostrado grande apoio à luta do Reino Unido – que também expulsou 23 diplomatas russos do país. Se por um lado as relações internacionais dos britânicos – que fizeram solicitações contrárias a Rússia em diferentes fóruns internacionais – se fortalecem, os russos se veem cada vez mais isolados.

A Rússia, que já expulsou 23 diplomatas britânicos em retaliação as ações do Reino Unido, já prometeu tomar providências contra os atos internacionais, conforme afirmou o chanceler russo Sergei Lavrov. Além disso, Lavrov criticou duramente os Estados Unidos, destacando que poucos são os países independentes no mundo moderno.

“Quando um ou dois diplomatas estão sendo expulsos desse ou daquele país, enquanto sussurram desculpas em nosso ouvido, sabemos com certeza de que se trata de uma pressão colossal, de uma chantagem colossal, que infelizmente é a principal ferramenta de Washington atualmente na área internacional”, apontou, conforme noticiou a BBC.

De acordo com o especialista em assuntos diplomáticos da BBC, Jonathan Marcus, o impacto da expulsão dos diplomatas russos possivelmente será maior no setor de espionagem do país, visto que é possível presumir que parte dos representantes eram agentes da inteligência. Ademais, a Rússia pode ter sido surpreendida com o apoio que o Reino Unido recebeu na empreitada.

“Sob os olhos de Moscou, o Reino Unido encontrava-se fraco e cada vez mais isolado internacionalmente; a UE [União Europeia] estava distraída com seus próprios problemas; e o governo Trump continuava comprometido com a curiosa falta de vontade de Trump de punir [os russos]. Isso pode ter sido um erro sério de Putin. Em muitos sentidos, estamos assistindo a uma surpreendente mostra de ação conjunta europeia, ainda que o presidente russo possa preferir destacar o fato de nem todos os membros do bloco europeu terem participado [da expulsão]”, apontou Marcus à BBC.

As ações americanas contra a Rússia coincidem com a mudança dos Estados Unidos em um cenário mundial, trocando dois importantes nomes da política externa do país – Mike Pompeo se tornou secretário de Estado e John Bolton se tornou o novo conselheiro de Segurança Nacional. Tanto Pompeo, quanto Bolton possuem posições conservadoras. Bolton, inclusive, defende há anos um endurecimento das relações dos Estados Unidos com a Rússia.

As expulsões diplomáticas, os posicionamentos dos países frente à Rússia e a mudança da postura dos Estados Unidos podem prever um período mais complicado das relações internacionais russas. Jonathan Marcus, no entanto, esclarece que os países precisam entender o posicionamento da Rússia no cenário mundial, deixando o passado como União Soviética de lado.

“Comparar a crise atual com a Guerra Fria é um exagero: a Rússia não é a União Soviética, um ator global com uma ideologia que mobiliza pessoas ao redor do mundo. O país tem fortalezas mas também fraquezas, incluindo sua economia. Nos anos recentes, Putin conseguiu focar nos temas onde o país tem fortes laços históricos ou diplomáticos”, explicou.

Dessa forma, Marcus afirma que a Rússia tem o poder de causar perturbações internacionais – como ocorreu na crise da Crimeia em 2014 e nos recentes cyberataques russos, inclusive na suposta interferência nas eleições americanas de 2016.

“Para contrapor isso, governos ocidentais talvez precisem gastar mais em defesa, mas acima de tudo precisam tornar suas sociedades mais resilientes. O primeiro passo é chegar a um consenso sobre o problema. E o uso de gás nervoso na cidade de Salisbury parece ter colocado esse processo em prática”, finalizou o analista.

Fontes:
BBC-O que significa para a Rússia que seus diplomatas já tenham sido expulsos de 27 países?

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1 Opinião

  1. Carlos disse:

    Quem disse que foi a Russia o responsável?
    Por que não mais um ataque sob falsa bandeira para que Soros e a Nova Ordem Mundial consigam destruir a Rússia que os combate em todas as frentes?
    Senão vejamos: esse gaz foi inventado ainda no tempo da ex-URSS com a intenção de nunca deixar vestígios. Após da queda da ex-URSS, muita coisa ultra-secreta sumiu da Rússia, quem sabe, também esse gaz que não deixa vestígios, mas curiosamente algumas horas depois de internados o ex-espião e sua filha, os médicos ingleses já sabiam o nome do gaz que os tinham envenenado.
    Como?
    Será que a CIA, MI6 e a Mossad estão por trás desse ataque sob falsa bandeira?

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