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Manifestantes se reuniram em frente à embaixada russa em Varsóvia, em 17 de agosto, para mostrar apoio ao motim banda punk Pussy (Reprodução/Internet)
Engajamento ou desperdício?

O que faz um protesto ser eficaz?

Em meio à ocupação de Wall Street, passeios de ônibus com imigrantes ilegais e freiras e ativistas presos na Rússia, o que constitui um protesto bem-sucedido?

fonte | A A A

É um momento interessante para protestos. Na Rússia, uma banda punk foi  presa por uma manifestação antigoverno em uma igreja. Nos Estados Unidos, freiras andaram de ônibus para chamar a atenção para as questões sociais e os imigrantes ilegais tentaram levar o foco para a sua causa. Enquanto isso, a ocupação de Wall Street continua nas calçadas da cidade. Mas qual é a diferença entre um gesto fútil e demonstrações que podem levar a uma mudança real, como os protestos da Primavera Árabe? O que torna um protesto eficaz?

Internet, atitude e organização

Para o escritor Spencer Ackerman as chances de um determinado protesto ser bem sucedido são maiores quando o evento é organizado de forma inteligente, e uma importante ferramenta para a realização desses protestos atualmente é a internet. No caso russo, após o tribunal condenar três membros da banda punk Pussy Riot a dois anos de prisão, os vídeos do conjunto no Youtube tiveram milhões de acessos. Nos Estados Unidos, cada vez mais os norte-americanos estão buscando atualizações em tempo real de julgamentos através do Twitter. Segundo Ackerman, a mistura de mídia, criatividade e confronto social é uma bomba para um regime autoritário.

Já para Natasha Vargas-Cooper, ex-sindicalista, apenas protestos com forte organização de base geram resultados. De acordo com Natasha, as manifestações sem organização são atos de terapia pessoal e coletiva, birras públicas. Para ela, os protestos não devem se uma estratégia, mas apenas uma tática, parte de um conjunto de ações: “A mudança política e social vem somente através da organização, dura, prolongada e persistente”, diz. Segundo a ex-sindicalista, as manifestações sem organização podem ser até prejudiciais, pois anunciam a fraqueza do movimento: “As estruturas de poder não foram construídas durante uma noite e não serão derrubadas em uma noite”.

Das ruas, às urnas

Fundador de um comitê de ação política de Houston, Claver T. Kamau-Imani afirma que um protesto serve a um propósito muito específico e limitado. Para ele, uma  manifestação eficaz chama a atenção para uma injustiça específica, e sua utilidade é limitada a reunir pessoas com uma queixa comum. O sucesso desse grupo de pessoas só será completo se o protesto instigar uma ação política subsequente: “Consulte os protestos do movimento dos direitos civis ou da libertação da Índia e da África do Sul. O objetivo final dessas manifestações era mobilizar o poder político para corrigir o mal que levou aos protestos. Um protesto que não leva a esse resultado é, em última análise, um total desperdício de tempo e energia humana.”

 

 

 

 

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