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LAÇOS DESFEITOS

O que leva alguém a romper para sempre com os pais?

Pais ressentidos, afetados negativamente por uma infância traumática ou que não demonstram afeto podem levar os filhos a romperem os laços para sempre

O que leva alguém a romper para sempre com os pais?
Em alguns casos, o divórcio dos pais também desestrutura o ambiente familiar (Foto: drcservices.org)

Quando​ criança, Laura sonhava em ser amada. Mas em vez de abraços e passeios com os pais, ela viveu a infância e a adolescência em um ambiente hostil. “Minha mãe não queria ter filhos. Certa vez, me disse que ao descobrir que estava grávida, só não havia feito um aborto porque já estava com muitos meses de gestação”, diz Laura.

O pai de Laura se separou da mãe quando ela era ainda criança, o que, em sua opinião, fez de sua mãe uma pessoa ainda mais amarga. “Ela teve de assumir sozinha a responsabilidade de criar uma filha, uma obrigação que odiava”.

O relacionamento entre as duas terminou quando Laura era adolescente. “Minha mãe gostava de homens e não de filhos, e quando eu tinha 15 anos ela se mudou para a África com um namorado. Nunca consegui perdoá-la por ter partido sem aviso ou explicação. Depois, só me ligava para pedir dinheiro e, por isso, tomei a decisão de cortar qualquer tipo de contato com ela”.

Laura atribui o comportamento da mãe a uma infância traumática, mas nada justifica a atitude do pai. “Apesar de uma infância cercado de amor, meu pai não sente empatia por ninguém. Não nos falamos há sete anos”.

“O relacionamento problemático com meus pais afetaram meu equilíbrio psicológico. Faço análise para tentar superar meu sentimento de rejeição. Cresci achando que havia feito algo errado para eles não me amarem. Só me arrependo de não ter dito ao meu pai quanto eu o detestava. Não odeio a minha mãe, só sinto pena”.

Apesar de ter sido uma decisão extremamente difícil, o rompimento com os pais foi para Alice um ato de autopreservação. “Meus pais se divorciaram quando eu tinha 8 anos e não tenho nenhum tipo de contato com minha mãe desde que me mudei para a Alemanha há dez anos. Ela não era carinhosa e tinha ataques de raiva por qualquer coisa que eu fizesse. Nunca senti que me amava”, explica Alice.

Assim como Laura, Alice atribui o comportamento da mãe a uma infância infeliz, que a transformou em uma pessoa ressentida.

Andy não tem contato com a mãe há 25 anos, desde que decidiu se afastar de uma família na qual crescera sem afeto. “Cresci em uma casa onde as crianças não eram ouvidas. Meus pais nunca me elogiavam, ao contrário, sempre encontravam motivos para críticas”. diz Andy.

As regras da casa eram rigorosas e Andy tinha de ir para o quarto às 20h todos os dias. Na adolescência, ele começou a ouvir rádio para se distrair e as notícias lhe deram uma nova visão do mundo. “Percebi que as opiniões dos meus pais eram esnobes, misóginas, intolerantes e racistas. Nunca tive o direito de expressar uma opinião diferente da de meus pais e, ao longo do tempo, perdi o respeito por eles”.

O pai de Andy morreu quando ele tinha 18 anos, mas já há mais de um ano o diálogo entre os dois terminara. A relação com a mãe continuou difícil e quando comprou uma casa, logo após se formar na universidade, Andy convidou-a para conhecer a casa. “Eu estava tão orgulhoso, mas assim que a viu ela olhou-a com desprezo e disse que parecia uma moradia popular. Pouco depois, ela se aproximou mais do meu irmão com quem tinha afinidade e, por fim, decidi me afastar deles. Não foi uma decisão difícil de tomar, porque não tínhamos nada em comum e os atritos eram frequentes”.

Em alguns casos, o divórcio dos pais desestrutura o ambiente familiar. Helen perdeu o contato com dois de seus quatro filhos este ano, depois de terminar um relacionamento doentio com o marido. “Desde que nos separamos em 2011, os filhos foram se afastando influenciados pelo pai”.

Apesar de fazer todos os esforços para se aproximar dos filhos, eles a rejeitam. “Não culpo meus filhos, eles estão sob influência do pai, uma pessoa extremamente manipuladora e que sempre distorceu minha imagem perante os outros”.

Fontes:
The Guardian-‘I wish I’d told Dad how much I hated him’ – when children ditch their parents

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