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China: o país do ‘tudo em família’

O que o próximo premier chinês e a indústria do tabaco têm em comum?

O futuro primeiro-ministro chinês Li Keqiang terá de cortar seu cordão umbilical para enfrentar os problemas endêmicos do país, como custos relacionados ao fumo

O que o próximo premier chinês e a indústria do tabaco têm em comum?
Li Keqiang tem pela frente um desafio maior que o do próximo presidente dos EUA (Reprodução/Internet)

Um relatório sobre a China divulgado pela Brookings Institution vem alarmando investidores e levantando questões sobre a família de Li Keqiang, o futuro primeiro-ministro da China. Li Keming, irmão de Keqiang, é diretor da Administração do Monopólio Estadual do Tabaco, estatal chinesa que detém o monopólio do tabaco no país. Agentes de saúde declararam que a empresa será responsável por 3,5 milhões de mortes por ano até 2030. A ligação entre Li Keqiang e o diretor da estatal pode pôr a perder os esforços contra o tabaco conquistados no país nos últimos dez anos.

Conflitos de interesse como o de Li Keming e seu irmão Li Keqiang representam apenas a ponta do iceberg para um país que enfrenta a pior economia em 30 anos. Acreditar que Li Keqiang irá punir uma empresa que tem seu irmão como figura principal é ignorar o princípio do “tudo em família” tão presente na China, o gigante asiático que iniciará uma nova transição política na próxima quinta-feira, 8, durante o Congresso do Partido Comunista.

Casos como o de Wen Jinbao, cuja família chegou a possuir uma fortuna oculta de U$ 2,7 bilhões, continuam a repercutir na internet, como “o problema de U$ 2,7 bilhões”, ou “2.7 B” para escapar da censura que bloqueia conteúdos referentes ao escândalo. Na época em que a matéria foi publicada no New York Times, o governo chinês se apressou em negar as acusações, afirmando que se tratava de um movimento político para causar instabilidade no país.

Tratando sintomas ao invés de causas

A China deveria prestar mais atenção às causas dos problemas em seu sistema político e econômico ao invés de apenas tratar os sintomas. Culpar a mídia estrangeira não passa de um sinal de desespero. Talvez as coisas fossem diferentes se a indústria chinesa dispusesse da mesma energia com que o governo censura a liberdade de informação.

Os problemas que Romney ou Obama enfrentarão nos EUA não são nada comparado ao que espera Li Keqiang. O próximo líder chinês deverá fazer o que seus antecessores não conseguiram: reequilibrar a economia do país; aprender a crescer sem causar danos ao meio ambiente; diminuir a diferença entre ricos e pobres.

Para que essas metas sejam atingidas, a China terá de fazer duas mudanças. Primeiro, descobrir como ceder parte do poder a uma nova geração de elite sem os acontecimentos “por debaixo dos panos” que distraem a atenção das reformas necessárias. Segundo, o país dever eliminar a relação venenosa entre dinheiro e poder, que semeia a corrupção no país. Se a China realmente deseja o domínio global, deve fazer o que poucos países de sistema político fechado ou de partido único ousaram fazer: cortar o cordão umbilical.

Fontes:
Bloomberg-China’s ‘$2.7 Billion Problem’ Says Everything

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3 Opiniões

  1. luiz carlos pauli disse:

    Cigarro entorpece alguem?? cigarro mata alguem?? SEgundo a medicina oficial, cigarro não causa nem cancer. Não adianta mais tapar o sol com a peneira. Exijimos do governo, uma ampla discussão, até que ponto, os males que dizem do cigarro, se transformam em males no corpo humano. Não é mais possivel, ver Niemeyer, 104 anos – Arno João Frantz 90 anos – Helmuth Schmitt, 93 anos – Chico Buarque de Holanda 70 anos – Claudia Cardinale, 74 anos, fuma um cigarro atrás do outros, e nenhum deles, jamais foi parar em hospital. Não adianta mais insistirem que cigarro mata, que cigarro é vilão – pois a realidade é bem outra..totalmente diferente da que anti tabagistas divulgam. A ciência médica, deve sim, ser contestata, e urgente, pois essa ciência, ao longo dos anos, colecioou derrotas e revés, e não podemos mais, hj em dia, num mundo globalizado, nos ater a somente uma ciência, a médica. Precisa sim, ser qustionada. Povo que não questiona, que não reflete, acaba por ser escravo, e já somos escravos da ciência médica, pois tudo é proibido, tudo é ilicito, tudo é ilegal. Basta…..chega.

  2. Claudio D'Amato disse:

    É ! Vejo que essa PRAGA dessa paranóia antitabagista é mundial… Eu só gostaria de saber é, que se os antitabagistas já conseguiram seus preciosos espaços livres de fumo e a venda proibida a menores de 18 anos, POR QUE eles NÂO SOSSEGAM? O que esperam ganhar com esse quixotismo antitabagista, atrapalhando a vida DOS OUTROS?
    Não quer fumar, não fume; mas quero saber o que esperam ganhar pisando em cima de quem não tem nada a ver com os problemas deles?! Nós, fumantes, já estamos devidamente avisados dos riscos que estamos correndo. A “sujeira” é querer que não nos reste mais nenhuma possibilidade de fumar. Que sejam criados estabelecimentos ESPECÌFICOS para cada um (fumante e não fumante), e pronto, está RESOLVIDO! Por favor, não venham com os seguintes pretextos: 1) Os garçons estão expostos à fumaça. SE este argumento fosse sincero, então já teriam surgido movimentos para acabar com o serviço de pessoas que trabalham em garagens e em especial, os funcionário do DETRAJN, que medem as emissões do escapamento dos carros; 2) Quem cobre o tratamento é o SUS. Sim. É Mas acontece que os fumantes pagam MAIS, porque os tributos estão embutidos nos cigarros. E depois que se esta é a preocupação, então tem que se iniciar também uma pressão contra as pessoas que contraem AIDS por ter feito sexo sem camisinha. Quem paga o coquetel e outros gastos TAMBÈM é o SUS. 3) E… Bem, se o fumo é tão nocivo assim, então como se explica que haja esse número considerável de fumantes IDOSOS? Por favor, não finjam que não perceberam.
    Bem, para terminar, gostaria que os poíticos responsáveis por esas excrescentes leis antitabagistas lembrassem-se que fumantes também são ELEITORES< CONTRIBUINTES e CONSUMIDORES. Pensem na possibilidade de os fumantes se unirem para uma REJEIÇÂO SISTEMÀTICA de qualquer político que aprove estas leis do jeito que estão (O Serra dançou pela 2º este ano), independente do partido a que seja filado, em UM BOICOTE GENERALIZADO a lugares onde não se pode mais fumar (ex: shopping centers. Não gasto mais UM CENTAVO neles desde 2009), e os fumantes passarem a procurar comprar somente em camelôs, a fim de não pagar ICMS.
    Finalizando: Que os não fumantes ganhem seus lugares, mas OS FUMANTES TAMBÈM.

  3. Elaine Falco disse:

    A TOTALIDADE das pesquisas de saúde pública contemporâneas estão comprovando que o tabaco NÃO é causa de mortes significativas na(s) população(ões).

    Depois de duas décadas de controle antitabagista no mundo ocidental, hoje comprova-se que as doenças antes associadas ao cigarro permanecem com o mesmo (ou maior) incidência na população.

    Ausente o tabagismo, as MESMAS doenças estão matando MAIS, mais RÁPIDO e mais JOVENS, obrigando as instituições de saúde pública a REFAZER todas as pesquisas precedentes. A notícia divulgada esta semana afirma que a obesidade e o sedentarismo farão com que a geração atual de jovens, seja a primeira a morrer mais cedo do quê seus pais e avós.

    Portanto, não há NENHUMA pesquisa SÉRIA, efetivamente científica, que embase a conclusão alarmista da matéria. Ao contrário, as pesquisas de saude pública contemporânea comprovam exatamente o contrário.

    (O que parece muito lógico, se conhecemos o mínimo da história ocidental contemporânea. A geração que “inventou” a longevidade, muitos ainda vivos para além dos cem anos, e que criou o tumulto internacional do estado falimentar dos planos de saúde e previdência social, foi EXATAMENTE a geração que mais fumou…).

    Portanto, no que pese meu desconhecimento de quais sejam os reais problemas chineses, o fato é que na questão específica do tabagismo a China toma decisões COERENTES com o resultado das mais avançadas pesquisa de saúde pública.

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